terça-feira, 7 de setembro de 2010

O sábado e a liberdade

Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado. Deuteronômio 5:15

Segundo a história oficial, D. Pedro I, em viagem de Santos para São Paulo, ao chegar às margens do riacho Ipiranga, recebeu uma carta com ordens de seu pai para voltar a Portugal. Vieram também outras duas cartas, uma de José Bonifácio, que aconselhava o imperador a romper com Portugal, e outra, da esposa, Maria Leopoldina de Áustria, apoiando a decisão do ministro.

Impelido pelas circunstâncias, D. Pedro desembainhou a espada e pronunciou a famosa frase “Independência ou Morte”, rompendo os laços de união política com Portugal.

É interessante notar que o dia de nossa libertação política – 7 de setembro de 1822 – foi um sábado. Digo que é interessante porque o sábado é um dos maiores símbolos de liberdade que existe. Muitos adventistas hoje talvez se sintam inclinados a pensar o contrário – que ele restringe nossa liberdade, já que o maior problema que os adventistas enfrentam é o da guarda do sábado.

Mas a Bíblia nos diz que o sábado esteve por trás do primeiro grande movimento de libertação que a história registra – o Êxodo. Quando Israel esteve cativo no Egito, os capatazes egípcios tornaram impossível a guarda do sábado para eles. Faraó os chamou de preguiçosos. Acusou Moisés e Arão de interromper o povo no seu trabalho (Êx 5:4).

Então Deus instruiu Moisés a dizer a Faraó: “O Senhor, o Deus dos hebreus, me enviou a ti para te dizer: Deixa ir o Meu povo, para que Me sirva no deserto” (Êx 7:16). Parece claro, portanto, que o impedimento para se guardar o sábado contribuiu para deflagrar o Êxodo. Tanto é que após o Êxodo Deus estabeleceu o sábado entre o Seu povo como um sinal de sua libertação (ver Dt 5:15).

E para os que pensam que esse sinal foi dado só para os israelitas, basta ler Isaías 56:1-7 para ver que esta não é a realidade. Esse foi o manifesto de Deus a todos os povos, que não pertencem ao Israel segundo a carne. Esse sinal divino de liberdade não se restringe a nenhuma época específica e a nenhum povo. Os estrangeiros e os eunucos também estavam incluídos.

Nenhuma pessoa na face da Terra deve ser excluída desse concerto e dessa bênção. Todos podem se tornar participantes da história e da herança de Israel.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Tristeza do coração

Por que está triste o teu rosto, se não estás doente? Tem de ser tristeza do coração. Neemias 2:2

Não é agradável conviver com alguém que está a maior parte do tempo com a testa franzida e a expressão carregada, denotando tristeza, preocupação ou mau humor. As pessoas percebem, é claro, que algo não vai bem e ficam se perguntando: “Será que é comigo? Fiz alguma coisa errada?” Em alguns casos é melhor perguntar à pessoa, para tirar a dúvida.

Foi o que fez o rei Artaxerxes, ao observar o rosto de Neemias. Ele lhe perguntou: “Por que está triste o teu rosto, se não estás doente? Tem de ser tristeza do coração.” Bom observador, esse rei. Num relance, ele percebeu que Neemias não estava bem e que seu problema não era físico, mas emocional.

Neemias ficou com medo, pois como copeiro real ele não podia se dar ao luxo de se apresentar diante do rei com a expressão facial abatida ou mal-humorada. “Um servo que mostrasse mau humor perante o rei poderia ser considerado um conspirador, ou um mau empregado. Uma fisionomia triste nunca era tolerada na presença real” (Champlin).

Por um momento Neemias pensou que perderia a cabeça, pois cabeças de servos não tinham muito valor na corte real, naquele tempo. Por isso, apressou-se a responder: “Viva o rei para sempre!” Ele queria que o rei soubesse que por trás de seu semblante triste não havia nenhum plano para envenená-lo. “Como não me estaria triste o rosto se a cidade, onde estão os sepulcros de meus pais, está assolada e tem as portas consumidas pelo fogo?” (Ne 2:3)

Poucos monarcas se incomodariam com os problemas pessoais de seus servidores, e menos ainda em solucioná-los. Mas Artaxerxes era um homem sensível e bondoso, e perguntou a Neemias: “Que me pedes agora?” (v. 4).

Neemias então fez uma breve oração, pois temia a reação do rei à solicitação que iria fazer, o que implicaria uma mudança na política do império persa para com os judeus de Jerusalém. Ele pediu permissão para ir a Jerusalém, a fim de restaurar as muralhas da cidade. O rei concordou.

Foi a tristeza do rosto de Neemias que deu início a todo esse processo. Mas certamente foi a interferência divina na disposição do rei, como resposta à oração de Neemias, que resultou no sucesso da missão do servo do rei, pois tristeza e mau humor geralmente não resolvem dificuldades.

Seja qual for o problema que você está enfrentando, peça ajuda a Deus para colocar-lhe no rosto um sorriso. O resultado é que a vida também irá sorrir para você.

domingo, 5 de setembro de 2010

Vinte e um dias de luta

Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia. Daniel 10:13



Daniel havia estado orando e jejuando durante três semanas, pedindo luz sobre visões anteriores que ele não havia entendido. Ao mesmo tempo, porém, ele intercedia por seu povo, para que o decreto de Ciro permitindo a reconstrução do Templo em Jerusalém, fosse mantido. Os samaritanos haviam enviado falsos relatórios a Ciro, tentando impedir a reconstrução e o monarca agora estava indeciso quanto ao que fazer.



É nesse contexto que devemos entender essa resistência do “príncipe da Pérsia” ao anjo Gabriel. Quem era esse “príncipe”, que ousou resistir a um anjo de Deus durante três semanas? Certamente não era Ciro, mas um anjo caído designado por Satanás para influenciar o governo da Pérsia.



Aqui nós temos um incidente bíblico e histórico que afasta a cortina dos acontecimentos visíveis e nos dá um vislumbre do que ocorre por trás dos bastidores, nessa luta entre as forças do bem e as do mal. “Durante três semanas Gabriel se empenhou em luta com os poderes das trevas, procurando conter as influências em operação na mente de Ciro; e antes que a contenda terminasse, o próprio Cristo veio em auxílio de Gabriel” (Profetas e Reis, p. 572).



A luta referida nesse relato bíblico foi no sentido de que cada anjo procurava convencer o rei a tomar uma decisão. Podemos imaginar o “príncipe da Pérsia” cochichando aos ouvidos de Ciro: “Esses judeus não são dignos de confiança. Eles vão acabar se rebelando como já fizeram antes e trazendo instabilidade ao seu reino. Impeça já a construção do seu Templo.” Por outro lado, o anjo de Deus procurava contrabalançar essa influência maléfica, dizendo: “Ciro, você é o Ungido de Deus, escolhido para libertar o Seu povo. Parabéns por sua decisão. Deixe que eles continuem a construção e Deus o abençoará.” Com a ajuda de Cristo, Ciro finalmente tomou uma decisão favorável ao povo de Deus.



Esse episódio mostra que há forças antagônicas agindo constantemente sobre nós e procurando nos induzir ao mal ou ao bem. Procuremos ouvir a voz de Deus nos falando ao coração.

sábado, 4 de setembro de 2010

O empresário que honrava o sábado

Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no Meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra. Isaías 58:13, 14

João Apolinário, membro de tradicional e bem conhecida família adventista, começou sua carreira como empresário, estabelecendo-se na cidade de São Caetano, no ABC paulista, com uma pequena loja de eletrodomésticos. Naturalmente, como fiel adventista, ele não abria aos sábados. Na mesma época, outro empresário fundou, no outro lado da rua, uma loja concorrente que tinha grande movimento aos sábados.

Assim, João resolveu adotar uma nova estratégia e passou a abrir sua loja aos sábados à noite. O resultado foi surpreendente. Cada semana, logo após o pôr do sol, uma enorme fila de clientes se formava na frente de seu comércio. O movimento do sábado à noite se tornou tão intenso que, muitas vezes, chegava a superar o montante das vendas de toda a semana.

Em 1998, já como empresário bem-sucedido na área de veículos novos, João foi procurado pela Honda Automóveis para se tornar concessionário da marca em São Caetano. Quando ele explicou que suas empresas não operavam aos sábados, os executivos da Honda lhe disseram que nenhuma agência da marca em todo o mundo fechava aos sábados e por isso não seria possível tê-lo como seu representante.

Como bom estrategista empresarial, João disse aos representantes da empesa que provavelmente a concorrente Toyota aceitaria suas condições de não abrir aos sábados. Pouco tempo depois o irmão Apolinário foi procurado pela Honda que, desta vez, aceitou que ele não abrisse a revenda aos sábados “apenas como experiência”.

Os negócios prosperaram a tal ponto que, em menos de dois anos, João Apolinário foi convidado a visitar a sede da Honda, no Japão, onde sua empresa recebeu um troféu como uma das melhores revendedoras da marca no Brasil. E assim o êxito de suas empresas prosseguiu até ele se aposentar, após os 80 anos de idade.

Essa história foi narrada em vídeo, por ocasião do seu octogésimo aniversário. João Apolinário descansou em Jesus, em 2008, deixando-nos esse exemplo de fidelidade na observância do sábado e mostrando que Deus recompensa os que Lhe são fiéis.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Lições da viúva pobre

Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou duas pequenas moedas correspondentes a um quadrante. Marcos 12:44

Em termos financeiros, a oferta da viúva pobre era tão pequena como se nós, hoje, depositássemos na salva da igreja duas moedas de um centavo. Ninguém ficaria mais pobre com tal doação. No entanto, perante o Céu, não é a quantia que importa, mas os motivos do doador. “O Céu está interessado apenas no montante de amor e devoção que a dádiva representa, e não no seu valor monetário” (SDA Bible Commentary, v. 5, p. 649).

Nos tempos de Cristo não havia INSS, nem pensões, aposentadorias, seguro-desemprego ou bolsa-família. Assim, uma viúva, especialmente, era muito vulnerável. A menos que o marido tivesse sido um homem rico, ou que ela tivesse filhos que a sustentassem ou outros membros da família que a acolhessem, ela estaria à mercê da caridade alheia. Jesus revelou que ela era extremamente pobre ao dizer que aquelas duas moedinhas eram tudo que ela possuía. E, ao doá-las, ela confiou que Deus providenciaria o seu pão de cada dia. Isso, sem dúvida, é confiança total.

A viúva poderia haver retido uma moeda. Seria pouco, mas seria melhor do que nada. Muitas vezes, não damos a Cristo algo em nossa vida. Raramente fazemos uma entrega total. Mas a viúva pobre doou tudo.

Outra lição que essa viúva nos dá é que, em vez de usar aquela pequena importância para si mesma, ela a doou para a causa de Deus. O trabalho realizado no Templo era importante, e ela queria apoiá-lo. Lançou as moedas com alegria, crendo estar participando de algo maior do que ela própria.

Uma senhora perdeu o marido e estava tendo dificuldade para superar essa perda. Durante várias semanas ela foi diariamente ao cemitério para colocar flores na sepultura do marido. Mas não conseguia sentir alívio. Então foi ao médico, e quando lhe contou isso, ele fez a seguinte sugestão: “Em vez de levar flores ao cemitério, leve-as ao hospital. Tenho dois pacientes que estão sozinhos. Eles não têm família nesta cidade e realmente apreciariam receber flores. Tome interesse por eles, pergunte-lhes se estão melhorando e dê-lhes ânimo. Veja se pode ajudá-los de alguma maneira.” Ela aceitou a sugestão do médico e levou flores a esses pacientes. Logo conseguiu superar seu luto.

A viúva pobre também havia vencido sua dor. Ela confiava em Deus para seu sustento. E agora estava disposta a ajudar a causa de Deus. O seu ato foi registrado para nosso exemplo.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Cristo elogia uma viúva

E, chamando os Seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. Marcos 12:43

Cristo não Se impressionava com pessoas arrogantes e vaidosas, que faziam as coisas para receber louvores dos outros. Ele não valorizava aqueles que se orgulhavam de sua suposta piedade, depositando grandes somas de dinheiro nos cofres do Templo, para serem vistos.

Jesus dava mais valor a pessoas humildes e sinceras, como a viúva pobre, que veio ao Templo para depositar apenas duas moedinhas de pequeno valor. Provavelmente ninguém mais notou a oferta dela; só Jesus. Mas Ele foi a mais importante testemunha desse ato. Chamando Seus discípulos, disse-lhes que ela havia dado mais do que todos os outros, porque eles deram do que lhes sobrava, mas ela deu tudo quanto possuía. Essa mulher pôs seu dinheiro onde estava seu coração. E Jesus a elogiou. Alguém duvida que essa viúva realmente amava a Deus?

Talvez o ato de devoção dessa viúva fosse uma indicação de que ela havia aceito as provações sem se revoltar contra Deus. Ela havia perdido o marido. Quem já passou por essa experiência dolorosa conhece não apenas o sofrimento e a solidão, mas também a tentação para sentir amargura e ira.

A atitude dessa viúva nos faz lembrar da história de uma família judia que perdeu alguns de seus membros no Holocausto. Mas eles continuaram indo à sinagoga todos os sábados. Quando um amigo lhes perguntou por que eles eram tão assíduos em sua frequência, eles responderam: “Queremos mostrar a Deus que superamos nossa dor.”

Você e eu não conhecemos os desígnios divinos. Quando ocorre uma tragédia, nossa reação natural é: “Se Deus podia impedir isso, por que não o fez?” Ninguém de nós aceita facilmente a ideia de perder alguém a quem ama. Quando isto acontece, a cura leva tempo. E essa viúva havia superado sua dor e continuava confiando em Deus.

Aquelas duas moedinhas depositadas no Templo podem ter sido uma expressão de que a viúva havia se recuperado de seu luto. Ela havia superado sua dor. Depositou ali tudo o que possuía. Dali em diante teria de confiar totalmente em Deus para o seu sustento. Não é de admirar que Jesus a tenha elogiado.

Temos nós a mesma confiança na providência divina?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Deus ouve os pecadores?

Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a Sua vontade, a este atende. João 9:31

As palavras acima foram ditas aos fariseus por um cego de nascença que havia sido curado por Cristo. Ele estava contestando a afirmação de que Jesus era pecador (v. 24) e, portanto, não poderia ter operado um milagre desses através do poder de Deus.

Os fariseus ficaram momentaneamente mudos e confusos, pois o Antigo Testamento de fato ensina que Deus não ouve pecadores. Jó, ao falar do ímpio, exclama: “Acaso, ouvirá Deus o seu clamor, em lhe sobrevindo a tribulação?” (Jó 27:9) O salmista diz: “Se eu tivesse guardado lugar para o pecado no meu coração, Deus nunca teria me ouvido!” (Sl 66:18, BV). Isaías transmite as palavras de Deus aos hipócritas, que oravam de mãos estendidas: “Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue” (Is 1:15).

Por outro lado, eles acreditavam que a oração de um justo era sempre ouvida: “Os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os Seus ouvidos estão abertos ao seu clamor” (Sl 34:15). “O Senhor está longe dos perversos, mas atende à oração dos justos” (Pv 15:29).

O Novo Testamento também afirma: “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tg 5:16). Entretanto, o publicano, ora a Deus dizendo: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lc 18:13). E o versículo seguinte diz que ele desceu justificado para sua casa. Deus, portanto, atendeu à oração desse pecador. Como se pode entender isso? Deus ouve os pecadores ou não?

Depende. Se um pecador obstinado e impenitente orar a Deus pedindo que Ele opere um milagre em seu favor, Deus dificilmente o atenderá. Mas Deus sempre ouve a oração do penitente que suplica misericórdia e perdão. E, às vezes, Deus opera um milagre em favor do pecador para induzi-lo a abandonar sua vida de pecados. Cristo, muitas vezes, dizia à pessoa curada: “Não peques mais, para que não te suceda coisa pior” (Jo 5:14).

Embora sejamos todos pecadores, acheguemo-nos confiantes junto ao trono da graça, pedindo que Deus nos perdoe os pecados e nos dê poder para vencer as fraquezas. E Ele, com certeza, nos ouvirá.