terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fim de festa no palácio

Como foi tomada Babilônia, e apanhada de surpresa, a glória de toda a terra! Como se tornou Babilônia objeto de espanto entre as nações! Jeremias 51:41

Imagine uma festa para mil convidados, num salão de 17 por 53 metros. Vinho à vontade, belas mulheres, música ruidosa, alegria e sensualismo. Todos os políticos importantes estavam presentes. Assim foi a festa que o rei Belsazar ofereceu a mil dos seus grandes, na noite de 12 de outubro do ano 539 a.C. Mal imaginava Belsazar que aquela seria sua última festa.

Sob a influência do álcool, Belsazar manda trazer os vasos de ouro e de prata que Nabucodonosor havia tirado do templo de Jerusalém, “e beberam neles o rei, os seus grandes e as suas mulheres e concubinas” (Dn 5:3). “O rei queria provar que nada era demasiado sagrado para que suas mãos tocassem” (Profetas e Reis, p. 524).

Foi a gota d’água que fez transbordar a taça da paciência divina. Belsazar, além de profanar os vasos do templo de Jerusalém, profanou também o templo de seu próprio corpo. Mas, de repente, a orgia cessou. Príncipes, estadistas, concubinas e servos viram, com horror, a mão misteriosa escrevendo na parede do palácio, em caracteres brilhantes, algumas palavras desconhecidas. O rei ficou pálido de medo, os joelhos bateram um no outro e suas pernas ficaram bambas. Foi o fim da festa.

Ante a incompetência dos sábios do reino para decifrar a escrita, o profeta Daniel foi chamado, às pressas. Depois de relembrar assuntos familiares da vida de Nabucodonosor, Daniel fez o que ninguém mais teria coragem de fazer: repreendeu o rei por sua impiedade, dizendo: “Tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que sabias tudo isto” (Dn 5:22). Em seguida leu e interpretou a escrita na parede, que não era outra coisa senão um aviso de Deus de que seu reino estava acabado.

Belsazar ainda estava no salão de festas quando foi informado de que a cidade havia sido tomada pelo inimigo. Ele foi morto naquela mesma noite, e Dario, o medo, ocupou o trono.

Deus fez de tudo para poupar Babilônia. “Queríamos curar Babilônia, ela, porém, não sarou” (Jr 51:9). O reino caldeu havia enchido a medida da misericórdia divina e o Céu decretou sua ruína. Assim será também com a Babilônia espiritual e com os indivíduos que rejeitarem persistentemente o Espírito Santo de Deus.

Arrependa-se, antes que a mão de Deus escreva, com letras de fogo, ao lado do seu nome, as terríveis palavras: “Pesado na balança e achado em falta” (Dn 5:27).

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A arte de repreender com brandura

Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Lucas 17:3

Lucas não esclarece como se deve repreender um irmão. Porém o apóstolo Paulo nos dá essa orientação: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura” (Gl 6:1). Não é fácil corrigir com brandura, pois quem corrige geralmente está irritado com quem cometeu a falta, e se não tiver educação e domínio próprio poderá usar palavras ásperas e ofensivas, que talvez causem ressentimento por toda a vida.

São comuns as repreensões no âmbito do trabalho, no lar, nos esportes, e também na igreja. O conselho do apóstolo Paulo, de corrigir com espírito de brandura, se dirige, em primeiro plano, aos irmãos da igreja. Mas pode ser aplicado em qualquer esfera do relacionamento humano.

Cristo é nosso Modelo também quanto ao assunto da repreensão. Ele foi um grande repreensor: repreendeu fariseus, mercadores do Templo, Seus próprios discípulos, e até os demônios. Repreendeu o vento e o mar. Em alguns casos, Sua repreensão foi extremamente severa, como quando disse a Pedro: “Arreda, Satanás!” (Mt 16:23). Essas foram quase as mesmas palavras com que Cristo repeliu a Satanás no deserto (Mt 4:10). “As palavras de Cristo, no entanto, foram dirigidas não tanto ao discípulo, mas àquele que as havia instigado” (SDABC, v. 5, p. 434).

Repreender Satanás é diferente de repreender um irmão. Um irmão faltoso precisa ser corrigido com amor, visando sua restauração. Satanás não pode ser tratado com brandura, pois está além da possibilidade de recuperação.

Vejamos agora a maneira vigorosa como Cristo recusou o pedido da mãe de Tiago e João. Ela se aproximou de Jesus para pedir-Lhe um favor: “Manda que, no Teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à Tua direita, e o outro à Tua esquerda” (Mt 20:21). Jesus lhe disse que ela não sabia o que estava pedindo, e que não Lhe competia conceder tal coisa.

A mãe desses dois discípulos não ficou ressentida com essa recusa, pois Cristo sabia censurar alguém de tal maneira que Seu amor se irradiava através de Suas palavras. A prova de que ela não ficou ofendida é que, quando Cristo morreu, ela estava lá, junto à cruz, com as outras mulheres. Ela demonstrou humildade para aceitar uma repreensão feita com amor.

E este é o duplo recado que a Palavra de Deus nos deixa: corrigir com amor e aceitar a correção com humildade.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Atos de bondade

Porque tive fome, e Me destes de comer; tive sede, e Me destes de beber; era forasteiro, e Me hospedastes; estava nu, e Me vestistes; enfermo, e Me visitastes; preso, e fostes ver-Me. Mateus 25:35, 36

Um capelão do exército se aproximou de um soldado ferido no campo de batalha e lhe perguntou se ele gostaria de ouvir alguns versos da Bíblia. O ferido respondeu: “Não, estou com muita sede, e prefiro beber um pouco de água.” O capelão lhe deu de beber e então repetiu a pergunta. “Não, senhor, agora não. Mas poderia fazer-me o favor de colocar algo embaixo da minha cabeça?” O capelão atendeu ao pedido e novamente repetiu a mesma pergunta. “Não”, respondeu o soldado, “sinto frio. O senhor poderia me cobrir?”

O capelão tirou o casaco e cobriu o soldado. Receoso de fazer novamente a mesma pergunta, ele fez menção de ir embora, mas o soldado o chamou: “Senhor, se há alguma coisa nesse seu livro que leva uma pessoa a fazer pela outra o que o senhor fez por mim, eu gostaria de ouvir.”

É possível que muitos de nós estejamos ansiosos demais por testemunhar nossa fé, fazendo visitas missionárias, oferecendo estudos bíblicos, pregando e doutrinando. Mas antes de atender às necessidades espirituais é preciso atender às necessidades físicas. Lembro-me de um professor de teologia que dizia em suas aulas: “Ninguém aceita o evangelho de barriga vazia.”

Na parábola das ovelhas e dos bodes (Mt 25:31-46), Jesus ensinou que Deus nos julgará segundo nossa reação para com os necessitados. O julgamento de Deus não se baseará no conhecimento, na fama ou fortuna que tivermos adquirido, mas na ajuda que tivermos prestado.

É interessante notar que essa ajuda tem que ver com as coisas simples da vida, que estão ao alcance de todos – dar um prato de comida ao faminto, um copo d’água ao sedento, hospedar o estrangeiro, visitar o enfermo ou prisioneiro. Não se trata de doar uma fortuna e ter o nome registrado nos anais da história, mas de prestar uma ajuda simples a pessoas que encontramos no nosso dia a dia.

Há pessoas que só ajudarão se houver publicidade e reconhecimento. Mas essa atitude não provém de um coração generoso e desinteressado. É, antes, uma forma disfarçada de egoísmo. Cristo disse: “Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas” (Mt 6:2).

Os atos de bondade que Deus aprova são aqueles praticados pelo prazer de ajudar, e não para se obter algo em troca, nem mesmo para ser salvo.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Sábado – dia de trabalho

Mas Ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também. João 5:17

Um pastor, administrador de uma instituição, disse certa vez: “Trabalhamos aqui cinco dias por semana, e no sábado, quando os irmãos descansam, o nosso trabalho dobra.” Ele estava se referindo às muitas atividades pastorais exercidas na igreja, durante o dia de sábado, e que às vezes são mais cansativas do que o trabalho diário.

Quando os fariseus criticaram a Jesus por permitir que Seus discípulos colhessem espigas no sábado, um dos argumentos que Jesus usou foi: “Não lestes na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa?” (Mt 12:5). Ele estava Se referindo às atividades religiosas, executadas no templo, aos sábados, em que o trabalho do sacerdote também era dobrado: “No dia de sábado, oferecerás dois cordeiros de um ano, sem defeito, e duas décimas de um efa de flor de farinha, amassada com azeite, em oferta de manjares, e a sua libação” (Nm 28:9). Durante a semana, no sacrifício diário, era oferecido apenas um animal, mas no sábado o sacrifício era duplicado, com o oferecimento de dois cordeiros.

Imagine o trabalho que esses sacrifícios envolviam: manter o fogo aceso (bem mais complicado do que fazer isso hoje), matar e preparar os animais, colocá-los sobre o altar e uma porção de outras tarefas. Qualquer desses atos, se cometido por uma pessoa comum, seria transgressão da lei. Mas para o sacerdote isso era lícito, pois tratava-se de um trabalho espiritual que precisava ser realizado no templo.

Nas curas que Jesus efetuou no sábado, Ele procurou ensinar que “é lícito, nos sábados, fazer o bem” (Mt 12:12). Se uma ovelha cair numa cova no dia de sábado, é lícito tirá-la de lá. E a conclusão de Cristo era irrespondível: “Ora, quanto mais vale um homem que uma ovelha?”

Portanto, é lícito no dia de sábado praticar obras de caridade, que minorem a dor do próximo. É também um dia muito apropriado para se levar cura espiritual a alguém, dando-lhe estudos bíblicos, explicando-lhe as Escrituras e a vontade de Deus. É licito ainda visitar doentes, ir a asilos, orfanatos, ou a qualquer outro lugar em que possamos confortar alguém e partilhar a esperança da vida eterna.

A carpintaria de Jesus ficava fechada aos sábados. Mas Ele era visto nesse dia na sinagoga, lendo as Escrituras e interpretando-as. Também era visto nas ruas levando cura física e espiritual a quem delas precisasse. Por tais atos, Jesus demonstrou o verdadeiro espírito que deve permear a observância do sábado.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Chamado pelo nome

Não temas, porque Eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és Meu. Isaías 43:1

“Presente!” é a palavra que o aluno deve responder ao ouvir seu nome chamado pelo professor, antes de começar a aula.
Lembro-me de um professor de teologia, o qual, após a oração, feita por um aluno, iniciava a chamada. Como alguns começassem a conversar, ele parava e dizia: “Vamos cultivar o hábito de não conversar após a oração, senão o inimigo tira proveito disso. Sei que não o fazem por má intenção, mas, como professor, preciso dar o som certo na buzina.” A classe então fazia silêncio e ele retomava a chamada.

Muitos anos atrás um grupo de cristãos norte-americanos foi visitar a Nicarágua, devastada pela guerra entre os sandinistas e os contras. Enquanto estavam lá, um jovem do grupo foi morto pelos contras. No domingo seguinte foi realizada uma Santa Ceia, durante a qual houve uma pausa. A congregação estava em silêncio. Então alguém pronunciou um nome em voz alta. Todos responderam: “Presente!” Durante a cerimônia pelo menos vinte nomes foram chamados e de cada vez houve a mesma resposta coletiva: “Presente!”

O pastor que liderava esse grupo de cristãos não entendeu o que estava acontecendo até que ouviu o nome de Oscar Romero. Então ele percebeu que todos esses nomes eram de pessoas que haviam morrido durante a guerra civil. Ao responderem “presente” aqueles irmãos estavam homenageando os falecidos e declarando que a presença e a influência deles ainda era sentida.

O coro do hino 434 do Hinário Adventista diz: “Quando for então chamado, aprovado hei de estar perante o Rei.”

Em algumas instituições, os indivíduos são chamados por um número. Mas ser chamado pelo nome é uma prova de consideração e respeito. A Bíblia diz que Deus chamou a Bezalel e a Moisés pelo nome (Êx 31:2; 33:12, 17) quando os escolheu para realizarem uma obra especial. “Jesus nos conhece individualmente, e comove-Se ante nossas fraquezas. Conhece-nos a todos por nome. Sabe até a casa em que moramos, o nome de cada um dos moradores. Tem, por vezes, dado instruções a Seus servos para irem a determinada rua, em certa cidade, a uma casa designada, a fim de encontrar uma de Suas ovelhas” (O Desejado de Todas as Nações, p. 479).

Deus nos remiu. Ele nos chamou pelo nome. Agora somos dEle. Não há o que temer.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Um homem bom

E enviaram Barnabé até Antioquia. Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. Atos 11:22, 24

Os homens mais valorizados por nossa sociedade, especialmente pelas empresas, são os homens dinâmicos, inteligentes, criativos, agressivos, competitivos, capazes de aniquilar os concorrentes. E se um homem tiver todas essas qualidades, especialmente a última, ele não poderá ser bom. Terá de ser impiedoso, porque este é geralmente o preço do sucesso. Ser bom, hoje em dia, é quase sinônimo de ser fraco. No reino de Deus, porém, os valores são outros.

Certo dia, um jovem rico aproximou-se de Cristo e, querendo agradá-Lo, ajoelhou-se e Lhe perguntou: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Respondeu-lhe Jesus: Por que Me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus” (Mc 10:17, 18).

À primeira vista, pode-se ter a impressão de que Jesus não Se considerava bom. Mas não é isso, pois noutra ocasião Jesus afirmou ser “o bom pastor” (Jo 10:11, 14). É que esse tipo de saudação não era comum entre os judeus. A Mishnah (lei oral dos judeus) se refere a Deus como “Aquele que é bom e concede o que é bom”. Jesus, portanto, corrigiu o jovem como que lhe dizendo: “Cuidado com os elogios. Não chame de bom a qualquer um, indiscriminadamente.”

Mas Lucas, autor do livro de Atos, diz que Barnabé “era homem bom”. Por quê? O que é que ele tinha de bom? Não foi esse mesmo Barnabé que algum tempo depois teve uma tal desavença com Paulo, que vieram a separar-se? (At 15:39). Será que ele era bom mesmo? Vejamos os fatos:

Barnabé era dono de um campo e “vendendo-o, trouxe o preço e o depositou aos pés dos apóstolos” (At 4:37). Ele, portanto, tinha desprendimento, acreditava na mensagem de Cristo, e estava disposto a utilizar seus recursos para promover o reino de Deus na terra.

Ele entrou novamente em cena quando o apóstolo Paulo visitou Jerusalém três anos após sua conversão e procurou juntar-se aos discípulos, mas eles ficaram com medo. Então Barnabé interferiu e o levou aos apóstolos, narrando a conversão dele no caminho de Damasco. Ele acreditou que Paulo era agora um homem convertido. Quem é bom acredita nas pessoas.

Barnabé era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. Você não gostaria de ser conhecido por essas qualidades?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A última chance do governador

Dissertando ele acerca da justiça, do domínio próprio e do juízo vindouro, ficou Félix amedrontado e disse: Por agora, podes retirar-te, e, quando eu tiver vagar, chamar-te-ei. Atos 24:25

O apóstolo Paulo havia sido preso em Jerusalém e enviado a Cesaréia, onde ficava o centro do governo romano da Judéia, presidido por Félix. Um dia o governador e sua esposa Drusila o mandaram chamar para poderem ouvi-lo “a respeito da fé em Cristo Jesus” (v. 24).

E assim Paulo compareceu diante de Félix, um homem ambicioso, cruel e sensual. A seu lado estava a bela judia Drusila, que se casara anteriormente com um gentio, que, para agradá-la, havia se tornado judeu.

O sermão de Paulo versou sobre três temas: justiça, domínio próprio e juízo vindouro. Ao ouvir Paulo pregar sobre a justiça, Félix deve ter pensado nos subornos que havia pago e recebido e em todas as injustiças que cometera.

Félix e Drusila ainda não haviam se recuperado de seu assombro, quando Paulo aborda o tema do domínio próprio. Os dois empalideceram, ao sentir a consciência apontar-lhes o dedo, como a dizer: “Isto é para vocês!” Drusila devia estar pensando no marido que abandonara, e em sua união ilícita com Félix.

Paulo chegou então ao ponto culminante de seu sermão: o juízo vindouro. E afirmou ao orgulhoso casal que esta vida não é tudo. Que embora um homem possua ricas vestes, mulheres, vinhos, carruagens e residências elegantes, ele terá de comparecer um dia perante o tribunal de Cristo.

Paulo fez com que Félix vislumbrasse esse tribunal, e ao vê-lo, Félix tremeu, amedrontado. Que tremendo impacto causara essa pregação! Infelizmente, porém, este foi um sermão perdido, porque Félix tremeu, mas não se arrependeu. Antes, interrompeu o sermão de Paulo dizendo: “Agora pode ir. Quando eu puder, chamarei você de novo.” E assim Paulo voltou para a sua cela e Félix para sua vida de impiedade.

“Havia sido permitido que um raio de luz do Céu brilhasse sobre Félix, quando Paulo arrazoou com ele a respeito da justiça, temperança e juízo vindouro. Esta foi a oportunidade que o Céu lhe enviara para que visse seus pecados e os abandonasse. Mas dissera ao mensageiro de Deus: ‘Por agora vai-te [...]’ (At 24:25). Menosprezara a última oferta de misericórdia. Nunca mais deveria receber outro convite de Deus” (Atos dos Apóstolos, p. 427).

Félix foi uma vítima do amanhã. Dizer “amanhã” quando Deus diz “hoje” pode significar “adeus para sempre”.