quinta-feira, 7 de abril de 2011

Graça e Dádiva

Vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, Se fez pobre por amor de vocês. 2 Coríntios 8:9

Pela manhã, o pastor se colocou em pé diante da congregação e anunciou: “Irmãos, tenho ótimas notícias para dar a vocês! Já temos todo o dinheiro necessário para a reforma da igreja.” Um caloroso “amém!” animou o pastor a prosseguir: “E a outra notícia, melhor ainda, é que esse dinheiro está no bolso de vocês.” Não houve outro “amém”, mas a igreja entendeu a mensagem do pastor.

O que nos motiva a doar? Para atender a um apelo, suprir uma necessidade, ou como um ato de adoração? Ao participarmos com nossas ofertas, estamos demonstrando que entendemos aquilo que Deus fez em nosso coração e em nossa vida, transformando-a por Sua graça.

Nos capítulos 8 e 9 da segunda carta de Paulo à igreja de Corinto, a palavra “graça” aparece dez vezes. E todas elas relacionadas com o ato de doar – um ato que flui do coração. Não foram as circunstâncias externas que influenciaram a “rica dadivosidade”. Os macedônios não estavam doando de sua abundância, mas de sua pobreza. Eles estavam doando não porque tinham que doar, mas porque desejavam doar, como se fosse um privilégio e não uma obrigação.

Ao visitar a igreja de Corinto, que era composta de escravos, trabalhadores e gente de bem, Paulo mencionou como exemplo as igrejas da Macedônia, que incluía Tessalônica, Filipos e Bereia. Essas igrejas também tinham enfrentado dificuldades e escassez econômica. Eram igrejas de condições financeiras modestas, mas Deus tocou o coração daquelas comunidades. Mesmo com limitações, os irmãos doaram generosamente.

Um cartaz numa igreja dizia: “Deus ama ao que doa com alegria, mas também aceita o de mau humor.”

Devemos doar não movidos pela compulsão, nem com relutância. A graça de Deus tem que me levar do nível do “tenho de doar” para o nível do “desejo doar”. Ela é que torna possível nossa generosidade.

“Deus é poderoso para fazer que lhes seja acrescentada toda a graça, para que em todas as coisas, em todo o tempo, tendo tudo o que é necessário, vocês transbordem em toda boa obra” (2Co 9:8).

A graça também mexe com nosso bolso na hora de ajudar.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Cidades de Refúgio

[Senhor,] tens sido refúgio para os pobres, refúgio para o necessitado em sua aflição, abrigo contra a tempestade e sombra contra o calor. Isaías 25:4

Ao ler muitas vezes a Bíblia e me deparar com a descrição das cidades de refúgio em Números 35 e Josué 20, eu me perguntava: “Será que não existe em cada um dos nomes dessas cidades um significado com uma mensagem para os que vivem no século 21?” É verdade. Todas elas estão com os portões abertos e acessíveis a nós.

Quedes é lugar santo, consagrado. Aqueles que se sentem pecadores, impuros vão encontrar em Quedes a graça santificadora de Jesus.

Siquém significa força, ombro; o convite é para os que se sentem cansados, esgotados, no fim da corda, e necessitam de ânimo e firmeza. Hebrom é aliança, irmandade. Refúgio para os que não têm amigos e que se sentem desamparados. Esse é o lugar em que Deus reconhece aqueles que são esquecidos. É um lugar amigável e de aceitação.

Na Guerra do Golfo (2001-2003), ocorreu uma tempestade de areia no deserto, que atingiu uma das guarnições militares norte-americanas. Nessa ocasião, mais soldados foram mortos, não pelo inimigo, mas pelo “fogo amigo”. O consenso era: “Com pouca visibilidade, dependendo de onde você estiver, se vir alguém se aproximando, na dúvida, atire. Você já foi vítima de “fogo amigo”? Ou atacou alguém com “fogo amigo”?

Bezer significa fortaleza secreta, lugar forte. Esse é o lugar para o qual corremos em nossa debilidade, quando sentimos que já não temos forças. Se você não se sente capaz para alguma coisa, aqui está seu lugar forte e sua defesa. Ramote é exaltação, levantar-se. Ramote é o refúgio que precisamos quando nos sentimos indignos e nossa espiritualidade está lá embaixo. Precisamos que alguém nos ajude a ficar em pé. Deus, então, nos convida para “nos levantarmos e andar”. Golam é círculo, cerca. Você que se sente caçado pelo inimigo, e em fuga? Em Golam você se sentirá protegido.

Hoje, multidões procuram refúgio. São pessoas com medo, feridas, preocupadas e oprimidas. Pessoas tratadas injustamente, sem rumo, desorientadas. Vidas marcadas pela decepção. E essas cidades se constituem num símbolo do refúgio que encontramos em Jesus.

Devemos gritar para essas pessoas: “Ei, é aqui mesmo! Refúgio! Venham! Ele é o único em quem podemos nos refugiar com segurança.”

terça-feira, 5 de abril de 2011

Restaurando os que Caíram

Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais, deverão restaurá-lo com mansidão. Gálatas 6:1

Uma das mais bonitas modalidades dos jogos de inverno é a patinação artística. Na apresentação, é de tirar o fôlego o salto com vários giros no ar e a aterrissagem. Mas já assisti algumas vezes, quase no fim da demonstração, o salto e... a queda. O que era para terminar em pé, de braços abertos numa demonstração de “fiz tudo direitinho”, não se concretiza.

Os resultados de uma queda não são nada agradáveis, e nada é tão frustrante como cair diante dos outros. Cair sozinho, você disfarça, sacode a poeira e segue caminho. Mas, quando outros nos veem cair, é humilhante.

Como a igreja, como família e comunidade dirigida pelo Espírito, deve tratar aqueles que estiveram ao nosso lado, participaram no mesmo coral, ajudaram no mesmo projeto, e foram afastados de nosso convívio por causa de uma queda?

O mesmo texto em diferentes versões descreve um leque de atitudes positivas em relação àquele que caiu:

“Colocá-lo em pé muito gentilmente” (New English Bible). Quando alguém cai, sua primeira necessidade é se levantar sem ser lembrado de que caiu. “Colocá-lo silenciosamente de volta no caminho, sem nenhum sentimento de superioridade” (Phillips). Não é hora de querer dar uma lição, nem de se mostrar mais santo do que ele. “Deve ser auxiliado a corrigir-se, restaurar-se e reintegrar-se sem nenhuma demonstração de superioridade e com toda gentileza” (Versão Amplificada). Restaurar quer dizer “colocar de volta onde estava”. Tem a mesma conotação de colocar um osso deslocado no lugar.

“Restaurá-lo magnanimamente, ficando com você os comentários críticos” (The Message). Mostrar tato e simpatia, selecionando cuidadosamente as palavras, e persuadir a pessoa para que volte ao caminho.

Somos aqueles que estendem a mão e ajudam a limpar as feridas? Colocamos uma tala ou curativo e dizemos: “Vamos tentar de novo”? Depois do escorregão, oferecemos o ombro para ajudar o outro a se levantar?

Aquele que é poderoso para nos guardar de tropeçar e cair está nos convidando hoje para receber Sua graça e restaurar os caídos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quem é Você?

Que é o homem, para que com ele Te importes? E o Filho do homem, para que com ele Te preocupes? Salmo 8:4

Tempo começa, tempo termina, vira ano, vira século e continuamos fazendo as mesmas perguntas: “Quem sou eu, de onde vim, para onde vou, por que estou aqui?” E agora, outra pergunta mais recente: “Eles sabem que eu estou aqui?”

Anthony Campolo conta a história do que aconteceu com um grupo de 200 franceses que, após a Segunda Guerra, voltaram a Paris sofrendo de amnésia. Tinham sido tão maltratados nos campos de concentração que perderam a consciência de quem eram e de onde tinham vindo.

Com a ajuda da Cruz Vermelha e de alguns dos colegas de prisão, a identidade de 170 deles foi recuperada. Mas havia 30 homens cuja identidade parecia impossível de se encontrar. Os médicos que tratavam desses homens disseram que, a menos que amigos ou familiares os identificassem, a oportunidade de recuperação seria nula.

Alguém deu a ideia de colocar a fotografia dos homens na primeira página dos principais jornais do país. Mencionava-se que, se alguém conhecesse algum deles, deveria comparecer à Ópera de Paris em determinado dia e hora para vê-los e ajudar a encontrar sua identidade.

No dia estabelecido, uma multidão se reuniu para ver os veteranos de guerra. De maneira espirituosa, o primeiro homem vítima de amnésia subiu ao palco da ópera parisiense. Sob um forte refletor, deu lentamente uma volta de 360 graus e, diante da multidão silenciosa, perguntou: “Alguém de vocês sabe quem sou?” Felizmente, o plano funcionou. Todos eles foram identificados.

Quando alguém nos pergunta quem somos, a primeira coisa que mencionamos é nosso nome. Se há tempo, falamos de nosso trabalho porque acreditamos que aquilo que fazemos determina nossa identidade. Ou então mencionamos aqueles com quem nos relacionamos: jogo no time de basquete, toco na orquestra, canto no coral, etc.

Há alguém que esteja silenciosamente se perguntando “quem sou eu”?

Uma das melhores maneiras de descobrir nossa verdadeira identidade é perceber quem somos em Cristo: Sou “o sal da terra” e “a luz do mundo” (Mt 5:13, 14). Sou “filho de Deus” (Jo 1:12). Fui escolhido para sair e dar fruto (Jo 15:16). Sou “co-herdeiro com Cristo” (Rm 8:17). Sou “nova criação” (2Co 5:17). “Tudo posso nAquele que me fortalece” (Fp 4:13).

domingo, 3 de abril de 2011

Refúgio na Presença de Deus

Para onde poderia eu escapar do Teu Espírito? Para onde poderia fugir da Tua presença? Salmo 139:7

Pegue um mapa e abra-o diante de você. Aponte para qualquer ponto nele. Pode ser a ilha mais remota, no meio do oceano. Deus está lá! Não existe nenhum cantinho do Universo que esteja fora do alcance de Deus. Ele capta milhões de objetos de uma só vez e vê, tudo completamente, num só momento.

Hoje existem sistemas sofisticados para monitoramento de pessoas. São câmeras ocultas, celulares, escuta clandestina e outros aparatos.
Deus não é uma espécie de paparazzo com câmeras de longo alcance, reunindo imagens em que fomos flagrados fazendo o que não devíamos, como prova de que Ele pode nos condenar.

O sistema de Deus é mais sofisticado, não para nos punir ou nos surpreender quando erramos. Seu sistema tem a finalidade de cuidar de nós e nos acompanhar.

“Só vou se você for comigo.” Que pai já não escutou isso de um filho ou de uma filha? A experiência pela qual iríamos passar era a mesma; porém, a presença do pai ou da mãe dava segurança, tranquilidade. É como a certeza de que, mesmo diante de qualquer emergência, qualquer imprevisto e qualquer problema, Deus está ali. Ele sabe de tudo. Sabe como resolver o problema e não vai nos abandonar.

Se Deus está em todo lugar, isso significa que você não pode se afastar dEle porque Ele sempre está perto. Não adianta se esconder de Deus, meter-se num bunker ou no porão de um navio, como fez Jonas para fugir de Deus.

Davi, em sua imaginação poética, diz: “Se eu subir com as asas da alvorada...” (Sl 139:9), ou, parafraseando, “se eu alcançar a velocidade da luz para fugir de Ti, até ali Teu braço irá me buscar”. “O braço do Senhor não está tão encolhido que não possa salvar” (Is 59:1).

O interesse de Deus por nós é exclusivo, como se não houvesse outra pessoa no Universo para quem dar atenção. Ele vê você permanentemente, esteja sozinho ou acompanhado.

“Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; Eu o segurarei com Minha mão direita vitoriosa” (Is 41:10).

Em nossa caminhada rumo ao Céu, não estamos sós. A presença de Deus não era uma ameaça para o salmista, mas seu conforto e segurança.

sábado, 2 de abril de 2011

Uma Migalha Será Suficiente

A mulher veio, adorou-O de joelhos e disse: “Senhor, ajuda-me!” Mateus 15:25

Pressionado pelo número cada vez mais crescente das multidões, Jesus foi para o território gentio ao norte da Galileia, que conhecemos hoje como Líbano. Ele queria privacidade. Sentia necessidade de diminuir o ritmo de trabalho.

Como se haviam espalhado notícias de que Ele estaria na cidade, o assédio foi inevitável. Nisso, Ele recebeu a visita de uma mulher. Ela não morava na cidade; era estrangeira. Uma mulher pagã. Aproximou-se de Jesus, como hoje muitos membros se aproximam do pastor, dizendo: “O senhor tem dois minutinhos para mim?”

Ela havia escutado notícias de Jesus e foi procurá-Lo. Dizia: “Sim, eu sei! Foi Ele mesmo que tocou e curou um leproso. Foi Ele que fez andar um paralítico que estava doente havia muitos anos. Também curou uma mulher. Ela simplesmente tocou a orla do manto dEle e ficou curada. Ele vai me ajudar!”

Ao pedido para que curasse sua filha, a primeira reação de Jesus foi de silêncio. Ignorou-a. Depois a excluiu: “Já tenho Meu campo missionário. Meu poder de curar é só para Israel. Não vim para vocês.” E, por último, humilhou-a, deixando-a sem graça quando a comparou com um cachorrinho. Mas ela passou pelo teste. Foi infatigável, insistente, persistente.

Em sua reação e resposta, transpareceu a ausência de orgulho. “Eu não mereço, Senhor, mas Tu és rico em bondade. Só uma migalha será suficiente para curar minha filha.” E continuou pedindo, mesmo não se sentindo digna.

Ela não tinha noção nenhuma da teologia da graça, mas tinha o simples entendimento de que tudo aquilo que recebemos de Deus não é por nossos méritos, mas pelos méritos de Sua graça. Devemos basear nossa fé não em nossa dignidade, mas na misericórdia de Deus.

Agora, pense um pouco: Em que área de sua vida você precisa de um pedacinho, um bocadinho, uma migalha do poder de Deus? Já pensou como o seu casamento seria diferente se você recebesse uma migalha do poder de Deus? Imaginou que paz seria sentida por todos? E como seria sua empresa, seus negócios, se recebessem uma migalha da bênção de Deus? Nossa vida, nosso trabalho, nossos estudos, como seriam diferentes se recebessem ao menos uma migalha da graça de Deus!

O que Jesus está dizendo para nós hoje? Alguns estão a um passo, a uma oração do livramento, das bênçãos, da cura física, emocional e espiritual. É só pedir. Uma migalha será suficiente!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Um Cântico Novo

Coloquei toda minha esperança no Senhor; Ele Se inclinou para mim e ouviu o meu grito de socorro. Ele me tirou de um poço de destruição, de um atoleiro de lama; pôs os meus pés sobre uma rocha e firmou-me num local seguro. Pôs um novo cântico na minha boca. Salmo 40:1-3

O livro de Salmos possivelmente seja o livro mais lido da Bíblia pela facilidade de identificação das emoções dos seus autores com as nossas emoções.

Todo tipo de emoção humana está espelhada nesse livro: alegria, medo, dúvida, esperança, louvor e anseios profundos. Muito mais do que um livro para ser lido, Salmos é um livro para ser usado em nossas orações de súplica, intercessão e agradecimento.

No texto de hoje, Davi manifesta profunda gratidão pela atuação da graça de Deus, e pelo que Ele fez para salvá-lo. “Coloquei toda minha esperança no Senhor” – essa é uma expressão que denota ansiosa expectativa. A espera de Davi não foi passiva. Jesus mesmo ensinou: Peçam, busquem e batam (Lc 11:9).

“Ele Se inclinou para mim” – Deus não tem vergonha de você porque você caiu. Inclinar-Se revela carinhosamente a figura paterna de Deus.

“Ouviu o meu grito de socorro” – Não há lugar distante nem profundo demais no qual você esteja que o Senhor não possa ouvir sua voz.

“Ele me tirou de um poço de destruição, de um atoleiro de lama” – A ideia é de alguém preso, atolado na lama. Lá embaixo. Sozinho. A ajuda tem que vir de fora, e de cima.

Em que poço você se encontra neste momento? Do pecado? Das dificuldades financeiras? Do desemprego? Comportamento difícil dos filhos? Problemas no casamento? Doença? Depressão? Deus pode tirá-lo desse buraco!

“Pôs os meus pés sobre uma rocha e firmou-me num local seguro” – Que mudança! Do fundo do poço para a rocha; do perigo para a segurança; das trevas para a luz. Por mais fundo que tenhamos ido, que transformação ocorre quando Deus nos encontra! Ele nos resgata, nos levanta, nos lava, põe nossos pés em local seguro e firma nossos passos.

“Pôs um novo cântico na minha boca” – Agora vem o último passo nesse processo. Depois do resgate, o júbilo, a alegria e o senso de liberdade. Nova experiência requer novo cântico de livramento e louvor.

Um dia, passadas suas lutas e tribulações, os remidos de todos os tempos se unirão em um novo cântico: “Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor!”

Jesus quer colocar um cântico em seus lábios!