sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Confrontação e Cura

A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira. Provérbios 15:1

A arte de confrontar, e que ninguém inveja, de ir falar com o outro e dizer que ele não fez o que era correto, é uma habilidade rara. Há pessoas que, por natureza, gostam de confrontar. Dizem que se há um problema, temos que resolver logo. Mas no mínimo o que se pede nesses casos é que a comunicação seja feita corretamente e não no calor da emoção. Temos que pedir a Deus as palavras certas e que Ele nos ajude a expressar-nos de tal maneira que levemos cura à pessoa. E quanta sabedoria e cuidado devemos ter para que o corte do “bisturi” traga cura e não dano! E não apenas isso, a confrontação deve ser um momento de liberdade e crescimento, e não um momento de acertar e consertar as coisas.

Deus sabe perfeitamente quando é o melhor tempo para corrigir alguém. Vemos isso em Seu trato com Davi, depois do seu caso com Bate-Seba. Sabendo da situação na qual se encontrava Davi, Ele enviou Natã para visitá-lo.

Confrontar um amigo é uma coisa. Confrontar um liderado é diferente da confrontação de um superior. Mas confrontar o rei, não é tarefa que você faz sem perder várias noites de sono, antes e depois. Depois de marcar uma audiência com Davi, Natã começou sua conversa num tom amistoso. Ele usou uma parábola como preparação: “Majestade, é apenas uma questão civil e eu gostaria de ouvir o seu veredito. Dois homens, um rico e um pobre, moravam na mesma cidade. O que era rico tinha muitas ovelhas, e o que era pobre tinha apenas uma cordeira de estimação. Um dia, o homem rico recebeu um viajante com sua comitiva. Na hora de preparar a refeição, em lugar de pegar uma ovelha do seu rebanho, ele pegou a única cordeira que o pobre tinha. Eu gostaria, majestade, de ouvir o seu veredito sobre o assunto” (ver 2Sm 12:1-4).

E Davi, num ímpeto de raiva, disse: “O homem que fez isso merece a morte!” (v. 5). Sem esperar nenhuma palavra mais, Natã respondeu: “Você é esse homem!” (v. 7).

Não podemos controlar a reação da outra pessoa, nem o que ela vai sentir ou pensar. Podemos mostrar a verdade, e levar conosco uma atitude de afeição, mas é o Espírito Santo que vai mudar o coração da pessoa.

No caso de Davi, a confrontação foi proveitosa. Ele não se defendeu nem tentou explicar seu erro. Aceitou a repreensão, e aí começou sua recuperação.

É sábio seguir o conselho bíblico: “Falando a verdade com espírito de amor, cresçamos em tudo até alcançarmos a altura espiritual de Cristo” (Ef 4:15, NTLH).

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Vulcão da Ira

Então o Senhor disse: – Por que você está com raiva? Por que anda carrancudo? Gênesis 4:6, NTLH

Quem é que tinha ouvido falar até o ano passado no vulcão Eyjafjallajorull? (Não se preocupe se você não conseguiu pronunciar o nome de uma só vez.) Ele lançou na atmosfera 750 toneladas por segundo de poeira, fumaça e lava. Afetou o tráfego aéreo da Europa com o cancelamento de milhares de voos.

O Eyjafjallajorull pode ser símbolo de muitos vulcões adormecidos no interior do ser humano. Vulcões que estão prontos a entrar em erupção, quando menos esperamos: no trânsito, em casa, na conversação rotineira, quando alguém nega um direito que é nosso, e assim por diante.

A figura do vulcão se encaixa na definição de raiva ou ira: “explodiu de raiva”, “saiu bufando da sala”, “cuidado quando ele fica bravo”. Até mesmo quando escutamos alguém aos gritos dizendo: “Estou calmo... já falei!”

Antes da queda, homem e mulher não tinham problemas com emoções negativas. Tempos depois, Abel e Caim apresentaram ao Senhor suas ofertas, e Deus, conhecendo o que estava no coração de Caim, perguntou: “Por que você está irado?”

Se todos têm seus momentos de raiva, como podemos reagir de maneira saudável? Eis algumas dicas:

Aja como se tivesse o controle da situação. É lícito ficar com raiva, mas não permita que ela controle suas decisões, palavras e ações: “O tolo dá vazão à sua ira, mas o sábio domina-se” (Pv 29:11).

Procure sair da ira o quanto antes. Paulo dá uma sugestão: “Se vocês ficarem com raiva, não deixem que isso faça com que pequem e não fiquem o dia inteiro com raiva” (Ef 4:26, NTLH). Noutras palavras, antes que o dia termine ou tão logo quanto possível, resolva a situação.

Dê tempo ao tempo. Muitas vezes, queremos resolver o problema na hora. Não corra para o telefone com a determinação de resolver de uma vez por todas o problema. Nem se sente diante do computador com a atitude de um vulcão em erupção. Isso não vai ajudar. Se nos distanciarmos da situação por um momento, isso será melhor do que depois nos arrependermos do que dissemos e enfrentar o desgaste de lidar com as consequências.

Lembre-se de que somos pessoas perdoadas e devemos fazer o possível para buscar saídas saudáveis para os problemas. Além disso, devemos estar dispostos a perdoar quantas vezes seja necessário. Podemos pedir que Deus coloque Sua paz em nosso coração e que nosso temperamento esteja alinhado com Sua graça.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Comunicação no Casamento

Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar. Tiago 1:19

Estudos demonstram que as meninas possuem potencial linguístico maior do que os meninos. O Dr. James Dobson chega a afirmar que, quem sabe, Deus deu à mulher 50 mil palavras para gastar por dia e deu ao homem 25 mil. É claro que quando o esposo chega em casa, já gastou 80 a 90 por cento do seu potencial. E a mulher, que gastou só 50 por cento, está ansiosa para falar tudo o que ainda tem armazenado. (Algumas línguas maldosas insinuam que o homem, ao voltar do trabalho, já gastou 24.995 palavras; quando entra em casa, “queima” as cinco últimas: “Onde está o controle remoto?”)

Comunicação como diálogo é o prazer que o casal sente de estar na companhia um do outro, de escutar e ser escutado.

Boa comunicação dentro do casamento é ir além das respostas monossilábicas: “Como foi a viagem?” “Boa”; “Como foi o passeio?” “Ah! legal”; “Como estava o exame de química?” “Fácil!” Com esforço, dá para ir um pouquinho além e expressar sentimentos. “Como foi o acampamento?” “Puxa, um local muito bonito e o pessoal da cozinha caprichou! Me senti muito bem lá.”

A boa comunicação sempre descobre oportunidades para elogiar: boas notas na escola, a apresentação no programa, o novo penteado... e coloca pitadas de bom, rindo e fazendo os outros rir.

Ouvir é importante na comunicação. Tiago mesmo diz: “Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar” (Tg 1:19). Homem, quando a esposa vier conversar, pare o que está fazendo e dê sinais de que está entendendo; ouça atentamente para que não se diga: “Você nunca me falou disso.”

O que devemos fazer para melhorar a comunicação na família?

1. Superar barreiras herdadas. A maneira pela qual fomos educados, com nossos pais geralmente distantes, aproximando-se somente em algumas ocasiões, condicionou alguns de nós a ficar também distantes dos filhos.

2. Deixe de lado o aspecto negativo e generalizador. “Você sempre chega atrasado”; “Este lugar está uma bagunça”; “Você nunca me escuta”. Nunca diga “nunca”; sempre evite o “sempre”.

3. Tempo juntos. Pelo menos um dia da semana toda a família deveria participar da mesma refeição.

Seguindo esses passos, poderemos tornar nosso ambiente familiar muito mais agradável e refletiremos o amor de Deus.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Salvação Hoje

Jesus lhe disse: “Hoje houve salvação nesta casa!” Lucas 19:9

Salvação hoje ou no futuro? Escutava o pastor sul-africano Smuts van Royen em um dos seus sermões, quando ele usou a ilustração a seguir, que me atraiu por seu “sabor jovem”.

Vamos supor que você se interessasse intensa e repentinamente por uma garota. E mesmo sem dar os passos prévios para conquistá-la – olhar, piscar, conversar, paquerar, namorar, noivar – se aproximasse dela e dissesse: “Quero me casar com você. Você se casaria comigo?” E ela respondesse: “Vá, faça todos os arranjos para a festa, marque com o pastor a data do casamento, convide os amigos e parentes e tome providências para a recepção. Então, no dia do casamento, entrarei na igreja de braço dado com meu pai. No meio da igreja, nos encontraremos e iremos juntos para o altar. Depois do sermão, na hora dos votos, quando o pastor perguntar para mim: ‘Aceita esse jovem como seu esposo?’, se eu disser ‘sim’, você ficará sabendo se eu aceito me casar com você.”

Quem entraria num relacionamento assim para ficar pendurado na incerteza e na dúvida? No entanto, há muitos cristãos esperando o dia da volta de Jesus, incertos, inseguros, sem saber se serão salvos ou não; sem a certeza de que Jesus, naquele dia, dirá “sim” para eles. Amigo, o “sim” de Jesus nos é dado aqui e agora. Hoje mesmo.

Não! Não vamos ter que esperar até a volta de Jesus na expectativa desgastante para saber se a resposta dEle será positiva. No momento em que O aceitamos como nosso Salvador e abrimos o coração, Ele diz “sim”.

Jesus disse: “Zaqueu, hoje é o dia mais importante da sua vida, porque a salvação bateu à sua porta, entrou em sua casa, apresentou-se a você.”

E este é o testemunho: “Deus nos deu a vida eterna, e essa vida está em Seu Filho. Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida” (1Jo 5:11, 12). E agora, como você vai responder: salvação hoje ou no futuro?

Pensamos que é mais fácil deixar a mudança para o futuro: “Algum dia começarei meu regime”; “Algum dia serei mais dedicado, quando as condições estiverem mais favoráveis”; etc.

“Se vocês ouvirem a Sua voz, não endureçam o coração como na rebelião” (Hb 3:15). Pois Ele diz: “‘Eu o ouvi no tempo favorável e o socorri no dia da salvação.’ Digo-lhes que agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação!” (2Co 6:2).

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Deus que Procura

Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido. Lucas 19:10

O pastor telefonou para uma família que havia recentemente visitado sua igreja, e do outro lado da linha atendeu uma voz infantil. O menino falava baixinho e se identificou como Tiago.

O pastor pediu para falar com a mãe do menino. Ele respondeu que ela estava ocupada.

– Ok, posso então falar com seu pai? – o pastor perguntou.

– Ele também está ocupado!

– Tiago, há outras pessoas em sua casa?

– A polícia!

– Posso falar com um dos oficiais da polícia?

– Eles estão ocupados.

– Quem mais está aí?

– Os bombeiros!

– Poderia me chamar um deles ao telefone? – O pastor já estava preocupado.

– Eles estão todos ocupados!

– Tiago! O que eles estão fazendo?

– Eles estão me procurando!

A história da raça humana é semelhante à brincadeira de esconde-esconde. Como Tiago, há muita gente se escondendo da polícia, dos pais, do chefe, dos professores, do esposo ou da esposa. Quando Deus perguntou para Adão e Eva: “Onde vocês estão?”, não era uma informação o que Ele queria, mas apenas lhes chamar a atenção e despertar a consciência deles. Às vezes, a fuga é por um dia, uma semana ou meses. Porém, nosso Deus nos procura. No Éden, Deus tomou a iniciativa. O ofendido procurou os ofensores não para tirar satisfações ou para proferir palavras de recriminação; foi até eles para restaurar o relacionamento rompido.

“Onde estás?” É a voz do pastor procurando a ovelha perdida. É a voz da mulher que perdeu a moeda. É a voz do pai aguardando o pródigo. A pergunta é para convidá-lo a sair de onde está: do meio da dúvida, de um labirinto que parece não ter saída, de uma amizade manipuladora que o mantém preso, ou de algum trabalho ou hábito. Deus é incansável em Sua procura. O salmista já perguntava: “Para onde poderia eu escapar do Teu Espírito? Para onde poderia fugir da Tua presença?” (Sl 139:7). Coloque-se hoje ao alcance de Deus.

domingo, 2 de outubro de 2011

Resultados do Arrependimento

Deem fruto que mostre o arrependimento. Mateus 3:8

O verdadeiro arrependimento produzirá mudança de atitudes, palavras e comportamento. Porém, inclui mais do que isso. Não significa simplesmente pedir desculpas e prometer nunca mais cometer o mesmo erro. Não significa punir a si mesmo, deixar de comer ou deixar de comprar algumas coisas. O verdadeiro arrependimento tem facetas que servem para medir até onde ele é verdadeiro.

Ao se encontrar com Jesus, você perceberá que deixou alguns rastros não luminosos pelo caminho. Precisará de humildade e honestidade para acertar algumas coisas, para restaurar um relacionamento rompido por causa de uma provocação, do que falou numa explosão de raiva ou de uma mentira.

Quando duas pessoas se encontram arrependidas com o objetivo de restaurar o relacionamento, estão ambas no território da graça. Ficam de fora as racionalizações que tentam explicar o porquê do erro cometido: “Fiz isso porque”, “Mas”, “Minha intenção era outra”... Quando você tenta explicar, passa a ideia de que quer encolher o máximo possível seu erro. É melhor encarar esse momento com humildade e reconhecer como o filho pródigo que errou: “Pequei contra o Céu e contra ti” (Lc 15:18).

Diga simplesmente: “Sei que você ficou ferido com o que falei. O erro foi meu. Perdoe-me.” Deus vai preparar suas palavras e o coração da pessoa com quem você vai falar para que a restauração seja efetivada. Se não der para falar pessoalmente, telefone ou use o correio eletrônico para não deixar a reconciliação para depois.

A outra faceta é a que chamamos de restituição. É a reposição pelo prejuízo material causado à outra pessoa; dívidas reconhecidas, mas não pagas, etc. O exemplo bíblico mais patente é o de Zaqueu. Imediatamente após seu encontro com Jesus, ele disse: “Vou devolver a quem cobrei mais do que devia, de quem tirei proveito me valendo da ignorância das pessoas.”

É o que diz o pensamento: “O reconhecimento da dívida sem esforço para pagá-la não é arrependimento.” Desse ponto de vista, o arrependimento não é fácil.

Você pode orar hoje a Deus, dizendo: “Senhor, no centro do meu pecado está o desejo de seguir meu próprio caminho. Escolho hoje sair do meu caminho para o Teu caminho. De meus planos para Teus propósitos, de minha independência para a Tua soberania. Ao voltar para Ti, espero na Tua graça e na Tua misericórdia.”

sábado, 1 de outubro de 2011

No Monte da Transfiguração

Suas roupas se tornaram brancas, de um branco resplandecente, como nenhum lavandeiro no mundo seria capaz de branqueá-las. Marcos 9:3

Robert Louis Stevenson conta uma pequena história. Um navio estava em dificuldade, enfrentando séria tempestade. Os passageiros estavam assustados. Finalmente, um deles, desobedecendo às ordens de segurança, subiu até a cabine de comando para ver o capitão. Ele estava em seu posto de dever segurando o timão e, ao perceber que o homem estava amedrontado, deu-lhe um sorriso de saudação. Retornando para junto dos outros passageiros, o homem disse: “Vi o rosto do capitão e ele sorriu. Está tudo bem.”

“Vi o rosto do capitão e está tudo bem” pode ser a frase na qual se baseia a história da transfiguração. O propósito pelo qual Jesus estava Se retirando era para orar, apoiar-Se na onipotência do Pai e pedir que Lhe fosse dada uma manifestação da glória que Ele tivera com o Pai desde a eternidade.

Não nos esquecemos da manjedoura, do batismo de Jesus, da tentação, mas a transfiguração também se afigura um acontecimento importante na vida do Mestre. Ela está conectada com a morte e a ressurreição dEle, além de ser um prenúncio de Sua segunda vinda.

Junto com Jesus apareceram duas figuras do passado: Moisés e Elias. Os dois patriarcas conversaram com Ele. Moisés foi ressuscitado dentre os mortos e o outro, transladado ao Céu. O rosto de Jesus resplandeceu. Suas vestes se tornaram brancas. Não era alucinação o que os discípulos estavam presenciando; era Jesus mesmo, o Messias, o Filho de Deus. A voz falou: “Este é o Meu Filho amado em quem Me agrado. Ouçam-nO!” (Mt 17:5). Isso explicava tudo o que acontecia ali.

Muitas vezes desejamos experiências iguais à do alto do monte da transfiguração, como fins de semana com Deus, semanas de oração, vigílias, etc. Queremos manter aquele sentimento de entrega e proximidade com Deus, e de paz no coração. Esse sentimento é importante, mas temos que voltar para o dia a dia de trabalho e de estudo. Se ao menos pudéssemos ter conosco aquele sentimento de proximidade! E a reação dos discípulos? Queriam congelar o evento. Sentindo o ambiente, Pedro disse: “Vamos ver quem é o dono do terreno e comprar esta propriedade! Vamos montar três barracas e ficar por aqui mesmo.”

Mas Jesus disse: “Não! Precisamos descer a montanha e nos encontrar com as pessoas.” O discipulado envolve seguir em frente, se misturar, interagir.

Pedro, Tiago e João bem poderiam ter dito: “Nós vimos o rosto do capitão e Ele sorriu. Está tudo bem!”