quarta-feira, 7 de março de 2012

O Cristo Resoluto

Porque o Senhor, o Soberano, me ajuda, não serei constrangido. Por isso eu me opus firme como uma dura rocha, e sei que não ficarei decepcionado. Isaías 50:7

O Cristo de postura firme. Essa é uma imagem que geralmente não temos de Jesus. Estamos acostumados com os generais cuja fisionomia demonstra determinação inflexível – os Pattons, Napoleões e Eisenhowers – mas não Jesus de Nazaré. Preferimos pensar nEle como o Bom Pastor amparando as ovelhas em Seus braços.

Mas a profecia de Isaías se cumpriu na descrição de um dos evangelhos que ecoa as palavras do profeta: “Aproximando-se o tempo em que seria elevado aos Céus, Jesus partiu resolutamente em direção a Jerusalém” (Lc 9:51). Marcos registrou mais detalhes: “Eles estavam subindo para Jerusalém, e Jesus ia à frente. Os discípulos estavam admirados, enquanto os que O seguiam estavam com medo” (Mc 10:32).

Trata-se de uma cena poderosa: Jesus caminha à frente do grupo, talvez desejoso de ficar a sós com Seus pensamentos. Os discípulos O seguem apreensivos. O comportamento de Jesus, agora tão diferente, os deixa surpresos e ansiosos. Sua fisionomia está séria, Seus olhos brilham com intensidade, todo Seu ser transparece determinação. Está decidido e prosseguirá, não importa o preço a ser pago.

O resultado parece inevitável: Jesus escolheu ir a Jerusalém, mesmo ciente de que a rejeição, o desprezo, a traição, a tortura e a morte O aguardavam naquele lugar. Sua vida não era um roteiro a ser seguido; Ele não era um ator, muito menos uma marionete. Ele poderia ter escolhido não ir a Jerusalém e não Se submeter à cruz. Poderia ter abortado Sua missão a qualquer instante. Veio à Terra “com risco de fracasso e ruína eterna” (O Desejado de Todas as Nações, p. 49).

Que Salvador! Que Senhor! O Cristo resoluto ganhou nossa salvação.

E nós, que escolhemos seguir Seus passos hoje, devemos esperar “um mar de rosas”, como diz o ditado? Será que o título que carregamos de “cristão” nos garante uma vida de obediência a Cristo calma, tranquila e confortável? Ou sabemos o que significa ficar firmes como uma dura rocha, determinados a permanecer fiéis a Ele a despeito das consequências?

Paulo conhecia a necessidade de manter uma postura firme. Contra todos os conselhos e advertências, partiu para Jerusalém, ciente de que a prisão e o sofrimento o aguardavam lá.

Isso é graça decidida – a graça do Cristo resoluto.

terça-feira, 6 de março de 2012

O Cristo Atemorizante

Assim como houve muitos que ficaram pasmados diante dEle; Sua aparência estava tão desfigurada, que Ele Se tornou irreconhecível como homem; não parecia um ser humano; de igual modo Ele aspergirá muitas nações, e reis calarão a boca por causa dEle. Isaías 52:14, 15

O Cristo atemorizante? Essa ideia parece impossível! Conhecemos o Cristo gentil, o Cristo bondoso, o Cristo resoluto, o Cristo crucificado, mas não o Cristo atemorizante. Mas é exatamente assim que Isaías, o profeta evangelista, resumiu o ministério de Jesus nessa passagem impressionante.

Jesus, segundo a Bíblia, atemoriza em dois aspectos. Primeiro, Ele causa pavor devido à Sua aparência, que está tão desfigurada que Ele nem aparenta mais um ser humano. Com essas poucas palavras, Isaías descreve o sofrimento de Jesus registrado nos quatro Evangelhos 700 anos mais tarde. Mateus, Marcos, Lucas e João contaram que Jesus foi espancado, cuspido e que uma coroa de espinhos foi cravada em Sua cabeça. Eles registraram especialmente que os soldados romanos O chicotearam, o que certamente foi o momento mais doloroso de toda a violência a que Ele foi submetido. “O chicote romano (phragellion, do latim flagellum) era um instrumento cruel de tortura. Em suas tiras de couro costumava-se prender pedaços de metal ou de ossos para aumentar o sofrimento. [...]

A vítima era despida até a altura da cintura, geralmente presa a um poste com as mãos atadas uma à outra, e chicoteada nas costas com golpes dilacerantes. Eusébio (Hist. Eccl. iv. 15) registrou que os mártires de Esmirna, torturados por volta de 155 d.C., foram espancados com tamanha crueldade que as veias, os músculos e os tendões foram expostos, até mesmo as entranhas ficaram à vista” (Seventh-day Adventist Bible Dictionary [1979], p. 988).

Jesus suportou tudo isso e muito mais. Por mais intensa que tenha sido a dor física que Ele suportou, pior ainda foi o fato de a face do Pai ter se ocultado no momento em que o peso do pecado da humanidade foi colocado sobre Seus ombros.

A Bíblia revela, porém, que Jesus atemoriza de outra maneira também. Muitas nações se assombrarão perante Ele; reis ficarão em silêncio diante de Sua presença. “Nações de todo o mundo temerão, ficarão espantadas, os reis ficarão chocados em silêncio ao vê-Lo” (Is 52:15, The Message). Pois o Jesus do Calvário, submetido a tamanho sofrimento e tortura, é o Filho de Deus, que voltará como Rei dos reis e Senhor dos senhores.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Recebendo de Graça

Vocês receberam de graça; deem também de graça. Mateus 10:8

Não sei o que é mais difícil – dar ou receber gratuitamente. Os seres humanos dão esperando sempre algo em troca; Deus não age assim. Os seres humanos recebem sempre procurando introduzir um elemento de mérito ou valor pessoal; Deus fica contente em receber-nos exatamente como somos.

Para nós, é muito difícil receber sem merecer. No fim do filme, no momento em que aparecem os créditos, queremos sempre que nosso nome apareça, mesmo as letras sendo tão miúdas.

No Antigo Testamento, há uma história muito conhecida mesmo entre as crianças e relembrada em algumas canções – a cura de Naamã, o comandante do exército da Síria. Uma menina israelita levada cativa por Naamã falou a respeito de um grande profeta de seu país, famoso por realizar milagres. Certamente ele poderia ajudar seu mestre! Assim, Naamã partiu para Israel acompanhado de servos para carregar os presentes que levava consigo. Após um encontro contencioso com o rei de Israel e ter que engolir o orgulho, Naamã por fim concordou em fazer aquilo que Eliseu, que não lhe falou pessoalmente, prescreveu para ser curado: banhar-se sete vezes no rio Jordão. E uma das canções enfatiza que, ao sétimo mergulho, Naamã foi curado.

Mas o restante da história raramente recebe atenção. Eliseu tinha um servo muito ambicioso, Geazi. Depois de ser curado, Naamã quis a todo custo presentear Eliseu. O profeta, porém, recusou aceitar qualquer coisa; o milagre havia sido realizado por Jeová, não por Eliseu. Unicamente Deus era digno do louvor e do crédito.

Assim, Naamã partiu para seu país, levando consigo todos os presentes de volta. O servo Geazi decide resolver a questão à sua maneira. Até aqui Geazi havia sido apenas um mero espectador na história, testemunhando Naamã ser curado e depois as tentativas inúteis de recompensar Eliseu. Geazi pensou: Isso não está certo! Naamã recebeu o presente da cura e, por isso, deve dar algo em troca. Eliseu é bobo de não aceitar seus presentes.

Geazi corre atrás de Naamã e seus servos. Ao alcançá-los, mente e diz a Naamã que Eliseu havia mudado de ideia e que finalmente havia decidido aceitar os presentes. Com muita alegria, Naamã lhe entregou o dinheiro e os trajes finos, mas o presente se transformou numa maldição no momento em que a lepra de Naamã passou para o ambicioso Geazi.

Não é fácil receber gratuitamente. Mas essa é a essência do evangelho. Não oferecemos nada; recebemos tudo.

domingo, 4 de março de 2012

A Graça é uma Festa

“Vamos festejar! Vamos alegrar-nos! Meu filho está aqui. Foi dado como morto e agora está vivo! Foi dado como perdido e agora foi encontrado!” E eles começaram a festejar e alegrar-se. Lucas 15:23, 24, The Message

A graça é uma festa. Parece espantoso, até surpreendente. Mas foi isso que Jesus ensinou.

É assim. Estamos aqui. Talvez nunca estivéssemos, mas estamos porque a festa não seria completa sem a nossa presença. No mundo acontecem coisas lindas e terríveis, mas Deus diz: “Não tema. Estou ao seu lado. Nada pode nos separar. Eu criei o Universo para você. E o amo.”

Essas palavras parecem espantosas demais para serem verdadeiras, mas de fato são. A parábola mais famosa de Jesus, uma história muito apreciada ao redor do mundo em todas as eras, fala a respeito de um pai amoroso e seus dois filhos.

Os pregadores geralmente se referem a essa história como “A Parábola do Filho Pródigo”, mas essa é, na verdade, a história de dois filhos. O mais jovem se entregou aos prazeres da juventude, voltou esfarrapado para o lar e foi aceito. Mas o irmão tinha uma série de problemas diferentes. No fim da história, está do lado de fora da casa, discutindo com o pai, enquanto o mais jovem está seguro dentro do lar.

Assim como muitas parábolas de Jesus, essa possui um fim surpreendente. Ela inverte a escala de valores humanos. Um filho, o “bonzinho”, trabalhou arduamente e nunca fez nada que manchasse o nome da família. Mas ele não “entendeu”.

A graça é algo que você nunca poderá obter por esforço próprio; você pode apenas recebê-la de presente. Não há como merecê-la ou comprá-la. É um presente. Assim como qualquer outro presente, a graça pode ser nossa apenas se estendermos a mão e a aceitarmos.

O personagem principal da história, no entanto, não é nenhum dos filhos, mas o pai. Ele nunca desiste dos filhos, nunca deixa de esperar e aguardar. E no momento em que o filho pródigo aparece, ele corre para encontrá-lo, reprime suas declarações de tristeza e manda buscar a melhor roupa e o anel.

E dá uma festa.

Espantoso, mas real. A graça é uma festa.

sábado, 3 de março de 2012

Ali Não Haverá Noite

Suas portas jamais se fecharão de dia, pois ali não haverá noite. Apocalipse 21:25

Você consegue imaginar como deve ser morar em um lugar em que nunca fica escuro?

As pessoas que habitam as regiões do extremo norte têm uma ideia de como seria viver assim. Quanto mais ao norte do planeta estivermos, notaremos que o Sol demora mais a se pôr durante o verão, até chegarmos ao Círculo Ártico. Ao norte do Círculo Ártico passam-se vários dias sem que o Sol se ponha.

Passei alguns dias no Alasca durante o mês de junho, e vivi uma experiência totalmente nova. Apesar de ter ficado em Palmer, cerca de 50 quilômetros ao norte de Anchorage e bem abaixo do Círculo Ártico, o pôr do sol ocorreu apenas às 23h45. Mesmo depois de o Sol ter desaparecido, ainda ficou claro. Às 4h30 da manhã seguinte, o Sol nasceu, e eu acordei. As pessoas já estavam saindo para trabalhar. O caminhão de lixo estava passando, os jornais já tinham sido entregues.

Pelo fato de não escurecer, dormir é um problema. Mesmo com as cortinas fechadas, o quarto fica claro; e assim que o raio de Sol encontra uma brecha, penetra seus olhos.

Com luz contínua, a terra produz em abundância extraordinária. Vi a peônia mais bela que já encontrei – de vermelho intenso, com múltiplas camadas e 23 centímetros de largura. Disseram-me que os repolhos chegam a pesar 45 quilos (isso é muita salada!), as cenouras chegam a 13,5 quilos cada uma, e são muito suculentas por causa do crescimento acelerado.

Ali não há noite! Mas apenas por um tempo. Após a glória do verão, os dias começam a encurtar, e a noite vem a passos largos. Na metade do inverno em Anchorage, o Sol exibe-se apenas por algumas horas. Ao norte do Círculo Ártico, mal aparece.

Com a noite vem a maldição das trevas: alcoolismo, divórcio, suicídio. Em nível puramente natural, somos criaturas da luz. Trevas infindas nos encobrem.

No novo céu e na nova Terra, o povo de Deus passará a ter uma existência que não podemos compreender nesta vida. Ali, andaremos na luz do Cordeiro, que veio para o nosso planeta, armou Sua tenda entre nós por um período, revelou a glória do Pai e morreu no Calvário para nos oferecer a vida eterna. Ali não haverá noite.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Reservatórios de Neve

Acaso você entrou nos reservatórios de neve, já viu os depósitos de saraiva [...]? Jó 38:22

Nenhuma invenção ou tecnologia humana é capaz de resistir à força das geleiras. Esse rio de gelo em movimento empurra qualquer barreira que tentamos colocar em seu caminho.

A neve acumulada ao longo de inúmeros anos se compacta e se transforma em gelo tão denso que todas as bolhas de ar são expelidas. À medida que as camadas de gelo formam paredes de vários metros de espessura, se inicia uma lenta descida para o vale, um peso enorme abre caminho pela camada rochosa, arranhando a superfície da Terra, apanhando pedras e triturando-as até virarem pó.

As geleiras são ao mesmo tempo lindas e terríveis. De longe, parecem silenciosas e imóveis, a luz do sol reflete o azul de sua superfície irregular. Mas, de perto, as geleiras emitem um som agudo por causa da profunda tensão ao percorrerem seu curso inevitável. As geleiras são perigosas. A neve esconde grandes fendas que abrigam trevas impenetráveis.

Já vi geleiras em vários lugares, mas apenas depois de visitar o Alasca é que comecei a compreender seu espantoso poder. Voamos de Denver para Anchorage, e por duas horas observei lá do alto uma vasta extensão de montanhas irregulares carregadas de neve com inúmeras geleiras avançando sobre incontáveis vales. Uma cena da beleza selvagem de tirar o fôlego.

Alguns dias mais tarde, Noelene e eu passeamos a bordo de um pequeno barco pelo Estreito Prince William. Observamos geleiras mergulharem no mar. Elas se desprenderam bem diante de nossos olhos como paredes imensas de gelo que racharam e se desmoronaram na água.

Por muitos anos, pensou-se que não existisse vida nas geleiras. Mas isso não é verdade. Um verme minúsculo, tão pequeno quanto um fiozinho de linha, vive próximo à superfície entre os cristais de gelo. Assim que as sombras encobrem a geleira, essa pequenina criatura, parecida com a minhoca, emerge para se alimentar do pólen que se alojou sobre a superfície.

“Acaso você entrou nos reservatórios de neve?”, o Senhor perguntou a Jó. Certamente, Jó já tinha ouvido falar em neve, e quem sabe até visto; às vezes neva em Jerusalém e nas áreas ao redor. Mas Jó não tinha a menor ideia de como era um rio acumulado de neve – a geleira.

Do mesmo modo, temos apenas uma vaga noção das maravilhas do mundo que Deus criou – e de Sua graça.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O Segredo da Vitória

Ao vencedor darei o direito de sentar-se comigo em Meu trono, assim como Eu também venci e sentei-Me com Meu Pai em Seu trono. Apocalipse 3:21

O tema da vitória é apresentado intensamente no livro de Apocalipse. Cada uma das mensagens às sete igrejas se encerra com uma promessa ao que vencer (Ap 2:7, 11, 17, 26; 3:5, 12, 21). Mas como podemos vencer? As forças espirituais arregimentadas contra nós parecem tão poderosas e nós somos tão fracos. Como podemos sair vitoriosos nessa batalha? Em nossa fraqueza encontra-se o segredo da vitória. Se nos submetermos ao Salvador e nos apoiarmos totalmente nEle, todas as forças do inferno serão afastadas de nós.

Prezado amigo, quero partilhar com você uma promessa que reconheço ser verdadeira, pois já a coloquei à prova vez após outra, e nunca falhou: “Coisa alguma é aparentemente mais desamparada, e na realidade mais invencível, do que a pessoa que sente seu nada, e confia inteiramente nos méritos do Salvador. Pela oração, pelo estudo de Sua Palavra, pela fé em Sua constante presença, a mais fraca das criaturas humanas pode viver em contato com o Cristo vivo, e Ele a segurará com mão que nunca a soltará” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 182).

Note a tríplice fórmula da citação:

1. Oração. A vida do vencedor é de oração. A oração que vive e respira a presença de Deus, a oração proferida ou silenciosa, a oração em meio às tarefas e aos cuidados diários.

2. Estudo da Palavra. O estudo da Palavra de Deus e a vida vitoriosa andam de mãos dadas. O estudo da Bíblia com oração é capaz de nos fortalecer no Senhor e em Sua vontade. A leitura esporádica nos deixa fracos e vacilantes; contribui para o fracasso. E não ler significa que rapidamente cairemos presas do inimigo.

3. Fé na constante presença de Deus. Vivemos pela fé. A fé é a essência da vida cristã. Ao nosso redor, as forças do secularismo e do materialismo nos envolvem com seu poder, seduzindo-nos a lançar nossa sorte com elas e a “comer, beber e alegrar-nos”. Mas a fé diz “não”! Há mais abundância de vida do que nossos olhos podem enxergar. Existe outro mundo, o reino de realidade suprema, a presença de Deus. Essa vida passageira não é tudo o que existe. Deus nos criou para Ele!

Tente. Lance-se nos braços de Deus. Quanto mais fraco se sentir, maior será a força dEle em você. Jesus, o vitorioso, lhe concederá o poder da vitória.