sábado, 4 de setembro de 2010

O empresário que honrava o sábado

Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no Meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra. Isaías 58:13, 14

João Apolinário, membro de tradicional e bem conhecida família adventista, começou sua carreira como empresário, estabelecendo-se na cidade de São Caetano, no ABC paulista, com uma pequena loja de eletrodomésticos. Naturalmente, como fiel adventista, ele não abria aos sábados. Na mesma época, outro empresário fundou, no outro lado da rua, uma loja concorrente que tinha grande movimento aos sábados.

Assim, João resolveu adotar uma nova estratégia e passou a abrir sua loja aos sábados à noite. O resultado foi surpreendente. Cada semana, logo após o pôr do sol, uma enorme fila de clientes se formava na frente de seu comércio. O movimento do sábado à noite se tornou tão intenso que, muitas vezes, chegava a superar o montante das vendas de toda a semana.

Em 1998, já como empresário bem-sucedido na área de veículos novos, João foi procurado pela Honda Automóveis para se tornar concessionário da marca em São Caetano. Quando ele explicou que suas empresas não operavam aos sábados, os executivos da Honda lhe disseram que nenhuma agência da marca em todo o mundo fechava aos sábados e por isso não seria possível tê-lo como seu representante.

Como bom estrategista empresarial, João disse aos representantes da empesa que provavelmente a concorrente Toyota aceitaria suas condições de não abrir aos sábados. Pouco tempo depois o irmão Apolinário foi procurado pela Honda que, desta vez, aceitou que ele não abrisse a revenda aos sábados “apenas como experiência”.

Os negócios prosperaram a tal ponto que, em menos de dois anos, João Apolinário foi convidado a visitar a sede da Honda, no Japão, onde sua empresa recebeu um troféu como uma das melhores revendedoras da marca no Brasil. E assim o êxito de suas empresas prosseguiu até ele se aposentar, após os 80 anos de idade.

Essa história foi narrada em vídeo, por ocasião do seu octogésimo aniversário. João Apolinário descansou em Jesus, em 2008, deixando-nos esse exemplo de fidelidade na observância do sábado e mostrando que Deus recompensa os que Lhe são fiéis.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Lições da viúva pobre

Vindo, porém, uma viúva pobre, depositou duas pequenas moedas correspondentes a um quadrante. Marcos 12:44

Em termos financeiros, a oferta da viúva pobre era tão pequena como se nós, hoje, depositássemos na salva da igreja duas moedas de um centavo. Ninguém ficaria mais pobre com tal doação. No entanto, perante o Céu, não é a quantia que importa, mas os motivos do doador. “O Céu está interessado apenas no montante de amor e devoção que a dádiva representa, e não no seu valor monetário” (SDA Bible Commentary, v. 5, p. 649).

Nos tempos de Cristo não havia INSS, nem pensões, aposentadorias, seguro-desemprego ou bolsa-família. Assim, uma viúva, especialmente, era muito vulnerável. A menos que o marido tivesse sido um homem rico, ou que ela tivesse filhos que a sustentassem ou outros membros da família que a acolhessem, ela estaria à mercê da caridade alheia. Jesus revelou que ela era extremamente pobre ao dizer que aquelas duas moedinhas eram tudo que ela possuía. E, ao doá-las, ela confiou que Deus providenciaria o seu pão de cada dia. Isso, sem dúvida, é confiança total.

A viúva poderia haver retido uma moeda. Seria pouco, mas seria melhor do que nada. Muitas vezes, não damos a Cristo algo em nossa vida. Raramente fazemos uma entrega total. Mas a viúva pobre doou tudo.

Outra lição que essa viúva nos dá é que, em vez de usar aquela pequena importância para si mesma, ela a doou para a causa de Deus. O trabalho realizado no Templo era importante, e ela queria apoiá-lo. Lançou as moedas com alegria, crendo estar participando de algo maior do que ela própria.

Uma senhora perdeu o marido e estava tendo dificuldade para superar essa perda. Durante várias semanas ela foi diariamente ao cemitério para colocar flores na sepultura do marido. Mas não conseguia sentir alívio. Então foi ao médico, e quando lhe contou isso, ele fez a seguinte sugestão: “Em vez de levar flores ao cemitério, leve-as ao hospital. Tenho dois pacientes que estão sozinhos. Eles não têm família nesta cidade e realmente apreciariam receber flores. Tome interesse por eles, pergunte-lhes se estão melhorando e dê-lhes ânimo. Veja se pode ajudá-los de alguma maneira.” Ela aceitou a sugestão do médico e levou flores a esses pacientes. Logo conseguiu superar seu luto.

A viúva pobre também havia vencido sua dor. Ela confiava em Deus para seu sustento. E agora estava disposta a ajudar a causa de Deus. O seu ato foi registrado para nosso exemplo.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Cristo elogia uma viúva

E, chamando os Seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes. Marcos 12:43

Cristo não Se impressionava com pessoas arrogantes e vaidosas, que faziam as coisas para receber louvores dos outros. Ele não valorizava aqueles que se orgulhavam de sua suposta piedade, depositando grandes somas de dinheiro nos cofres do Templo, para serem vistos.

Jesus dava mais valor a pessoas humildes e sinceras, como a viúva pobre, que veio ao Templo para depositar apenas duas moedinhas de pequeno valor. Provavelmente ninguém mais notou a oferta dela; só Jesus. Mas Ele foi a mais importante testemunha desse ato. Chamando Seus discípulos, disse-lhes que ela havia dado mais do que todos os outros, porque eles deram do que lhes sobrava, mas ela deu tudo quanto possuía. Essa mulher pôs seu dinheiro onde estava seu coração. E Jesus a elogiou. Alguém duvida que essa viúva realmente amava a Deus?

Talvez o ato de devoção dessa viúva fosse uma indicação de que ela havia aceito as provações sem se revoltar contra Deus. Ela havia perdido o marido. Quem já passou por essa experiência dolorosa conhece não apenas o sofrimento e a solidão, mas também a tentação para sentir amargura e ira.

A atitude dessa viúva nos faz lembrar da história de uma família judia que perdeu alguns de seus membros no Holocausto. Mas eles continuaram indo à sinagoga todos os sábados. Quando um amigo lhes perguntou por que eles eram tão assíduos em sua frequência, eles responderam: “Queremos mostrar a Deus que superamos nossa dor.”

Você e eu não conhecemos os desígnios divinos. Quando ocorre uma tragédia, nossa reação natural é: “Se Deus podia impedir isso, por que não o fez?” Ninguém de nós aceita facilmente a ideia de perder alguém a quem ama. Quando isto acontece, a cura leva tempo. E essa viúva havia superado sua dor e continuava confiando em Deus.

Aquelas duas moedinhas depositadas no Templo podem ter sido uma expressão de que a viúva havia se recuperado de seu luto. Ela havia superado sua dor. Depositou ali tudo o que possuía. Dali em diante teria de confiar totalmente em Deus para o seu sustento. Não é de admirar que Jesus a tenha elogiado.

Temos nós a mesma confiança na providência divina?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Deus ouve os pecadores?

Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a Sua vontade, a este atende. João 9:31

As palavras acima foram ditas aos fariseus por um cego de nascença que havia sido curado por Cristo. Ele estava contestando a afirmação de que Jesus era pecador (v. 24) e, portanto, não poderia ter operado um milagre desses através do poder de Deus.

Os fariseus ficaram momentaneamente mudos e confusos, pois o Antigo Testamento de fato ensina que Deus não ouve pecadores. Jó, ao falar do ímpio, exclama: “Acaso, ouvirá Deus o seu clamor, em lhe sobrevindo a tribulação?” (Jó 27:9) O salmista diz: “Se eu tivesse guardado lugar para o pecado no meu coração, Deus nunca teria me ouvido!” (Sl 66:18, BV). Isaías transmite as palavras de Deus aos hipócritas, que oravam de mãos estendidas: “Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue” (Is 1:15).

Por outro lado, eles acreditavam que a oração de um justo era sempre ouvida: “Os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os Seus ouvidos estão abertos ao seu clamor” (Sl 34:15). “O Senhor está longe dos perversos, mas atende à oração dos justos” (Pv 15:29).

O Novo Testamento também afirma: “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tg 5:16). Entretanto, o publicano, ora a Deus dizendo: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lc 18:13). E o versículo seguinte diz que ele desceu justificado para sua casa. Deus, portanto, atendeu à oração desse pecador. Como se pode entender isso? Deus ouve os pecadores ou não?

Depende. Se um pecador obstinado e impenitente orar a Deus pedindo que Ele opere um milagre em seu favor, Deus dificilmente o atenderá. Mas Deus sempre ouve a oração do penitente que suplica misericórdia e perdão. E, às vezes, Deus opera um milagre em favor do pecador para induzi-lo a abandonar sua vida de pecados. Cristo, muitas vezes, dizia à pessoa curada: “Não peques mais, para que não te suceda coisa pior” (Jo 5:14).

Embora sejamos todos pecadores, acheguemo-nos confiantes junto ao trono da graça, pedindo que Deus nos perdoe os pecados e nos dê poder para vencer as fraquezas. E Ele, com certeza, nos ouvirá.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Quando o primeiro amor esfria

Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Apocalipse 2:4

Éfeso era a capital da Ásia Menor e um importante centro comercial, cultural e religioso nos dias de João. Paulo trabalhou nessa cidade por três anos, sendo que durante dois anos ele pregou diariamente a Palavra em um salão alugado. Como resultado de seus esforços missionários “uma florescente igreja foi estabelecida ali, e desta cidade o evangelho se espalhou através da província da Ásia” (Atos dos Apóstolos, p. 291).

Entretanto, algum tempo depois o primeiro amor dos efésios por seu Salvador e uns pelos outros havia esfriado, talvez devido a controvérsias provocadas pelos falsos mestres. “Além disso, quando aqueles que haviam se associado pessoalmente com Jesus morreram, cessando de dar o seu testemunho, e a visão da iminência da volta de Cristo começou a desvanecer-se, a chama da fé e da devoção diminuiu cada vez mais” (SDA Bible Commentary, v. 7, p. 744).

Em sua carta aos crentes efésios (Ap 2:1-7) Jesus lhes faz alguns elogios e, então, os reprova com as seguintes palavras: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.”

É provável que esta expressão se refira mais à qualidade do amor do que a sua fase. Quando um marido dá prioridade aos amigos, esportes, televisão, em vez da companhia da esposa, embora a ame e lhe seja fiel, isso indica que ele perdeu seu primeiro amor por ela.

Assim também, quando nossos interesses vêm antes do amor a Deus, isso é um sintoma de que perdemos nosso primeiro amor por Ele.

Mas Deus deseja que Lhe dediquemos um amor não dividido (Mt 22:37, Lc 14:33), o nosso primeiro amor, que é o melhor.

Qual o remédio? “Arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Ap 2:5).

Parece, porém, que os efésios não se arrependeram, não voltaram ao primeiro amor, e a ameaça de Jesus se cumpriu. A igreja de Éfeso desapareceu. E, no lugar em que antes brilhava a luz do evangelho de Cristo, hoje é proclamado um “outro evangelho”.

Não abandonemos nosso primeiro amor por Cristo. Mas demos a Ele o lugar de honra em nossa vida.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Perfeitos como Deus

Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste. Mateus 5:48

Muito cristão já abanou a cabeça em perplexidade ao ler estas palavras de Cristo. À primeira vista parece que Ele está pedindo de nós, falíveis seres humanos, algo impossível, já que “não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Sl 14:3, Rm 3:12).

É preciso notar, porém, que neste trecho do Sermão do Monte, Jesus está falando do amor ao próximo. E o que tem a ver o amor ao próximo com a perfeição semelhante à de Deus? Vejamos:

William Barclay explica que a palavra grega para perfeito é teleios, que dá a ideia de perfeição funcional. “Uma coisa é perfeita se cumpre o propósito para o qual foi criada.” Exemplo: Suponhamos que em minha casa haja um parafuso frouxo e eu queira apertá-lo. Eu apanho uma chave de fenda do tamanho certo, coloco-a na fenda do parafuso e noto que ela se ajusta perfeitamente. Então viro a chave de fenda até o parafuso ficar apertado. No sentido grego, essa chave de fenda é perfeita, porque cumpriu exatamente o propósito para o qual foi criada.

Assim também o homem será perfeito se ele cumprir o propósito para o qual foi criado. E qual é esse propósito? No relato da criação, encontramos Deus dizendo: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança’ (Gn 1:26). Aí está: o homem foi criado para ser semelhante a Deus. E a maior característica de Deus é amar tanto os bons como os maus, tanto os justos como os injustos (Mt 5:45).

E quando o homem reproduz em sua vida esse amor incansável e perdoador de Deus, ele se torna perfeito no sentido neotestamentário da palavra. Dizendo isto em outras palavras, o homem que mais se interessa pelo próximo é o homem mais perfeito.

Se há uma coisa que nos torna semelhantes a Deus esta é o amor que nunca deixa de se importar com os outros, sejam eles merecedores ou não.

Atingimos a perfeição cristã quando aprendemos a perdoar como Deus perdoa, e a amar como Deus ama” (The Gospel of Matthew, v. 1, p. 176, 177).

Ellen White diz: “Como Deus é perfeito em Sua elevada esfera de ação, assim o homem pode ser perfeito em sua esfera humana. O ideal do caráter cristão é a semelhança com Cristo” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 365).

No dia em que conseguirmos amar tanto a justos como a injustos seremos perfeitos em nossa esfera como Deus o é na Sua.

domingo, 29 de agosto de 2010

De onde vieram os soldados?

Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. 2 Reis 6:16

No fim da década de 50 o padre de Fátima do Sul, MS, através de um alto-falante na igreja matriz, falava contra as demais igrejas locais, inclusive contra os adventistas, que se reuniam em um pequeno templo de madeira.

Então os irmãos adventistas decidiram colocar também um alto-falante junto ao seu pequeno templo, não para revidar os ataques, mas para ler trechos da Bíblia e do Espírito de Profecia para a vizinhança.

Na mesma noite em que o alto-falante foi inaugurado, uma procissão passou ali perto, e alguns participantes, incomodados com a programação, decidiram ir até lá e “acabar com tudo”. Duas mocinhas, interessadas em nossa mensagem, ouviram a ameaça e foram correndo avisar o irmão Porfírio Ferreira de Abrantes, um dos líderes adventistas, o qual pediu ao irmão Diomar que parasse de falar e desligasse o alto-falante. E ficou em frente à igreja para ver o que aconteceria.

Uma turba de uns 30 homens chegou e rodeou o irmão Porfírio, xingando-o e desferindo socos na direção do seu rosto, mas sem o atingir. Ele estava calado e conta que, nesse instante, Deus lhe colocou na mente as seguintes palavras: “Vejam bem o que vocês vão fazer!” E dizendo isto, estendeu a mão na direção da igreja. Eles olharam naquela direção, calaram-se e foram saindo, aparentemente com medo.

No dia seguinte, o delegado intimou o locutor do alto-falante, o irmão Diomar, a prestar depoimento na delegacia. Lá chegando, Diomar soube que os revoltosos haviam dado queixa, afirmando que os adventistas tinham contratado um grupo de soldados para montar guarda em frente à igreja. O delegado queria saber de onde era esse destacamento e por que não haviam recorrido a ele, em busca de proteção.

Diomar explicou que não haviam chamado nenhum soldado, e que a única explicação que tinha é que Deus certamente enviara anjos para protegê-los.

A partir desse incidente a igreja não mais enfrentou oposição no lugar. Os irmãos instalaram um alto-falante em uma casa comercial no centro da cidade, onde passaram a utilizar discos da Voz da Profecia com as palestras do pastor Roberto Rabello, ouvidas até pelo padre. Um dia, esse religioso disse ao irmão Porfírio:

– Ô, Porfírio, pode pôr esse programa aí, porque eu ouço e aprecio muito.

O episódio serviu para demonstrar, mais uma vez, a proteção divina, tanto por Seus filhos quanto pela Sua igreja, mesmo em se tratando de um pequeno templo de madeira.