quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O uso do hífen

A Ti me entreguei desde o meu nascimento; desde o ventre de minha mãe, Tu és meu Deus. Salmo 22:10

Não, o tema de hoje não é a Nova Reforma Ortográfica, que eliminou alguns hífens e acrescentou outros. Quero refletir hoje sobre um hífen muito especial que se encontra nas sepulturas, e que une a data do nascimento à do falecimento da pessoa. Ex.: 1942-2010.
Salomão disse que o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento (Ec 7:1). Dentro de uma realidade espiritual, quem morre em Cristo já passou por este vale de lágrimas, e agora está garantido, nos braços do Pai, aguardando a ressurreição. Está livre de qualquer perigo, especialmente do perigo de se perder. E quem nasce tem toda uma vida de lutas e sofrimentos pela frente, e poderá se salvar ou se perder, dependendo das escolhas que fizer, isto é, dependendo de como viveu sua vida – esse pequeno hífen entre o nascimento e a morte.

Esse hífen representa o tempo de duração de nossa vida. E quando ele chega ao fim, nossas posses não têm a menor importância: casas, carros, terrenos, conta bancária. O que importa é como vivemos, amamos e usamos nosso hífen.

Cada um de nós deveria se perguntar constantemente: O que tenho feito de minha vida? Tenho amado a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a mim mesmo? Tenho praticado a verdadeira religião para com Deus, que consiste em visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se incontaminado do mundo?

Tenho vivido para servir ou para ser servido? Tenho ajudado os outros ou vivido egoisticamente? Estou cumprindo o plano de Deus para a minha vida, ou vivendo para a satisfação de mim mesmo? Estou preparado para baixar à sepultura com esperança em meu coração, se hoje a morte vier bater à minha porta? Ou se Cristo viesse hoje, estaria eu entre aqueles que dirão com entusiasmo e alegria: “Este é o Senhor, a quem aguardávamos; na Sua salvação exultaremos e nos alegraremos” (Is 25:9)?

Portanto, pense se há alguma coisa que gostaria de mudar enquanto é tempo, pois nunca se sabe quanto tempo nos resta. Talvez seja o caso de mostrar mais apreço e amor pelos outros. Apertar os lábios para não falar palavras ofensivas. Sorrir mais. Fazer hoje uma entrega completa a Deus, pois o seu hífen pode estar chegando ao fim, não importa sua idade.

O salmista Davi se entregou a Deus desde o nascimento. E você?












terça-feira, 2 de novembro de 2010

Um belo funeral

Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em Mim, ainda que morra, viverá. João 11:25

Nunca vi alguém chegar de um funeral e exclamar: “Olha, esteve ótimo. Você não sabe o que perdeu!” Os funerais são sempre tristes, deprimentes. Especialmente quando o morto é uma criança ou jovem. As Escrituras Sagradas, entretanto, registram o caso de um funeral maravilhoso, que começou mal, mas terminou muito bem:

“Logo depois, Jesus foi a uma cidade chamada Naim, e com Ele iam os Seus discípulos e uma grande multidão. Ao se aproximar da porta da cidade, estava saindo o enterro do filho único de uma viúva; e uma grande multidão da cidade estava com ela. Ao vê-la, o Senhor Se compadeceu dela e disse: ‘Não chore’. Depois, aproximou-Se e tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Jesus disse: ‘Jovem, eu lhe digo, levante-se!’ O jovem sentou-se e começou a conversar, e Jesus o entregou a sua mãe” (Lc 7:11-15, NVI).

O funeral começara mal, como sempre, isto é, com pranto e lamentação, especialmente por parte da mãe, viúva, que perdera seu único filho. E não há nada mais doloroso do que perder um filho, especialmente se é o único.

A viúva e mãe estava desesperada. Já era a segunda vez que passava por essa experiência. Anos antes sepultara o marido, e fora com grande sacrifício que criara o filho. Mas valera a pena, pois ele se tornara um excelente rapaz. Era sua única esperança de dias melhores. Mas agora ele se fora. Quem proveria o sustento da velha mãe?

Como preparativo para o sepultamento, enrolaram o jovem em um lençol de linho e o depositaram numa espécie de padiola de vime. À tardinha, saiu o cortejo. Haviam acabado de atravessar o portão da cidade, quando se encontraram com outra multidão, alegre, animada, por ter consigo a Jesus, o Doador da Vida. E assim a Morte se encontrou com a Vida, naquele entardecer.

Ao ver aquela mãe alquebrada pelo sofrimento, Jesus Se compadeceu dela e lhe disse: “Não chore.” Palavras estranhas para serem ditas em tal ocasião. Mas Jesus disse isto porque sabia o que ia fazer. Ao tocar Ele o esquife, o cortejo parou. O ambiente ficou tenso. Então, em meio ao silêncio, ouviu-se a poderosa voz de Cristo: “Jovem, Eu lhe digo, levante-se!”

A multidão ficou arrepiada de espanto. O morto piscou os olhos e se levantou. Mãe e filho se abraçaram. As lágrimas de aflição se converteram em lágrimas de alegria e gratidão.

Não foi este um belo funeral? Começou com choro e tristeza, mas terminou com alegria e riso. E assim será quando Jesus voltar: os que dormiram em Cristo se erguerão da sepultura para abraçar os entes queridos.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O pôr do sol não é o fim

Nunca mais se porá o teu sol, nem a tua lua minguará, porque o Senhor será a tua luz perpétua, e os dias do teu luto findarão. Isaías 60:20

“Apagou-se o Sol”, declarou um jornal, ao noticiar a morte de Rui Barbosa. Apagara-se o gênio fulgurante que, com tanto brilho, havia iluminado aquela geração.

Em certo sentido, o Sol continua apagando-se diariamente para muitas pessoas ao redor do mundo. Cada vez que morre um ente querido, tenha ele sido brilhante ou não, o Sol se põe nos horizontes da família enlutada. Seu desaparecimento deixa-lhes na alma um vazio tão grande quanto o amor que lhe devotavam.

Foi o que sentiu dona Sara, mãe de Danilo. O rapaz, seu único filho, perecera afogado, aos dezessete anos de idade, numa trágica tarde de Natal. Dona Sara, despreparada para tal separação prematura, recusou-se a aceitar a realidade. De nada adiantaram as palavras de simpatia e solidariedade dos amigos. Não havia quem a consolasse.

Após o sepultamento, a pobre mãe passou a viver imaginariamente em companhia do filho querido. Todas as manhãs, bem cedo, ia ao quarto do jovem, debruçava-se sobre a cama em que o filho costumava dormir e exclamava com o mesmo amor maternal de sempre:

– Danilinho, está na hora de levantar. Vamos, senão você vai chegar tarde à escola.

Esperava, então, alguns momentos – o tempo que o filho costumava gastar para dar um último bocejo, espreguiçar-se e levantar – e prosseguia:

– Que roupa você quer vestir hoje? Prefere o blusão de couro? Acho que combina com as calças de brim, não é?

O filho, porém, alheio ao que se passava no mundo dos vivos, não podia responder. Jazia no pó da terra, dormindo o sono da morte. Seus pensamentos haviam perecido com ele e já não tomava parte em coisa alguma do que se faz debaixo do Sol.

As Escrituras ensinam que a morte é um sono (Jo 11:11, 12, 14), e que os mortos nada sabem (Ec 9:5, 6). Há uma esperança, porém. A Palavra de Deus afirma que, um dia, todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz de Cristo, “e os que tiverem feito o bem, [sairão] para a ressurreição da vida” (Jo 5:28, 29).

O momento de garantir a vitória sobre a morte é agora, enquanto há vida. E essa vitória só pode ser alcançada mediante Cristo, o Doador da Vida: “Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1Jo 5:12).

Ninguém, pois, precisa mergulhar em trevas, ao contemplar a morte. Além das negras nuvens brilha o Sol. E além da escura morte está Jesus, o Sol da Justiça, que dentro em pouco chamará os que O amaram para Sua maravilhosa luz.

domingo, 31 de outubro de 2010

Propaganda boca a boca

O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração. Lucas 6:45

A mais antiga forma de propaganda que existe, e que continua sendo a mais eficaz, é a propaganda boca a boca, que é feita de graça, por clientes satisfeitos com o produto que adquiriram.

Os mais idosos provavelmente se lembram de um carro americano que circulou no Brasil cinquenta anos atrás, marca Packard. A fábrica do Packard foi a última indústria automobilística da época a fazer publicidade paga, e isto só foi possível depois que o velho Sr. Packard morreu. Sempre que era abordado para fazer publicidade para os seus carros, ele respondia: “Não precisa. Pergunte a quem tem um.” Após sua morte, a fábrica do Packard adotou esse slogan: “Pergunte a quem tem um.”

O evangelismo boca a boca é antigo, mas continua moderno e eficaz. O evangelho de Jesus Cristo se tornou conhecido e revolucionou o mundo antigo, através do testemunho boca a boca. Somente os pastores, por ocasião do nascimento de Jesus, ouviram as boas-novas através dos anjos. Somente os magos foram guiados por uma estrela. Apenas Paulo foi alcançado por uma luz do céu. Quase todos ficaram conhecendo Jesus através do testemunho pessoal.

Antes que o Novo Testamento tivesse sido escrito, a história de Jesus foi transmitida oralmente. Os apóstolos haviam sido testemunhas dos grandes feitos operados por Jesus, e onde quer que fossem, pregavam sobre Ele.

Quando descobre algo que lhe traz satisfação, você sente um desejo irresistível de contar a outros. Um restaurante onde a comida é boa, uma loja de qualidade, um bom hotel, um lugar onde passear. O mesmo acontece quando nosso coração se regozija com o amor, a alegria e a paz de Cristo. Queremos contar isso ao mundo, pois “a boca fala do que está cheio o coração”.

Podemos usar cartazes, anúncios no rádio, jornais e televisão, mas as pesquisas mostram que a maioria dos novos membros da igreja foram atraídos por alguém. O desafio que temos é tornar a igreja um lugar tão agradável e amoroso, que todos possam dizer aos amigos e parentes: “A minha igreja é maravilhosa! Os irmãos são amorosos e corteses. Os cultos são espirituais. A música traz enlevo e inspiração. Acho que você também vai gostar. “

Quando os membros da igreja estão dispostos a falar aos outros da bendita esperança que lhes enche o coração, o testemunho deles se torna irresistível.

sábado, 30 de outubro de 2010

Jesus tinha de ser crucificado?

Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a Seus discípulos que Lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. Mateus 16:21

Martin Luther King, na noite que antecedeu seu assassinato em Mênfis, EUA, disse o seguinte: “Não sei o que vai acontecer agora. Teremos dias difíceis pela frente. Mas isso não me importa, pois já estive no topo do monte. Como qualquer pessoa, gostaria de ter vida longa. A longevidade tem o seu lugar. Mas não estou preocupado com isso agora. Quero apenas fazer a vontade de Deus. E Ele me permitiu subir ao monte. E de lá eu olhei, e vi a Terra Prometida. Pode ser que eu não chegue lá junto com vocês. Mas quero que saibam, nesta noite, que, como povo, estaremos na Terra Prometida. E hoje de noite estou feliz. Nada me preocupa. Não tenho medo do que me possa fazer o homem. Meus olhos viram a glória da vinda do Senhor.”

Algumas pessoas estão convencidas de que Martin Luther sabia que ia ser morto. Em virtude da agitação que ele criara e a revolta geral que estava ocorrendo, não seria preciso muita imaginação para prever que ele seria baleado.

A mesma questão tem sido debatida com respeito à morte de Cristo. Alguns pensam que Ele morreu como vítima dos eventos e pressões que se avolumaram contra Ele. Ou seja: vítima das circunstâncias. Mas quando João Batista disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29), ficou claro que Sua morte era certa desde o início. Numa cultura que sacrificava cordeiros duas vezes ao dia no Templo, essas palavras eram indicativas de morte. Em outras palavras, João Batista estava dizendo: “Ei, olhem para este Homem. Ele vai ser sacrificado!”

Jesus é o Cordeiro morto desde a fundação do mundo. E Sua morte deveria ser sangrenta, pois “sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb 9:22). Mas seria necessária uma morte cruel como a crucifixão? Um acidente sangrento não teria sido suficiente para operar nossa salvação?

O Prof. Raoul Dederen opina a esse respeito: “Um acidente sangrento, como o ter sido atropelado por uma carruagem romana, não teria executado o plano. Ele deveria morrer inocentemente nas mãos dos homens. E não simplesmente por uma pessoa, por um líder fanático. Deveria ser morto por um grupo de pessoas representando os vários níveis da sociedade, que juntos decidiram ver-se livres de Deus.”

Jesus veio ao mundo para morrer – por mim e por você.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Cortando o mal pela raiz

Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. Mateus 5:29

O nervo ótico é uma das avenidas através das quais o pecado penetra na mente humana. Cristo disse que o adultério, por exemplo, começa com um olhar impuro (Mt 5:28). Então a solução proposta seria arrancar o olho direito, que, no conceito popular antigo, enxergava melhor.

Mas, será que o problema ficaria resolvido? E o olho esquerdo não pode fazer alguém tropeçar? Obviamente, esse conselho de Cristo não deve ser interpretado literalmente, pois nesse caso teríamos um mundo de caolhos. No versículo seguinte Cristo dá o mesmo conselho caso a mão direita fizer você tropeçar: Corte-a fora! Assim, além de caolhos, você teria também uma multidão de manetas. E se você continuar cortando tudo o que o faz pecar, o que sobraria?

Orígenes, um dos maiores eruditos da igreja, no século III, combinou esses textos com a declaração de Cristo de que há alguns homens “que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus” (Mt 19:12), e se castrou. Isso mostra que a interpretação literal de um simbolismo pode afetar a a vida física.

“Cristo usa aqui uma figura de linguagem. Ele não requer a mutilação do corpo [que é o templo do Espírito Santo], mas o controle dos pensamentos. O recusar-se a contemplar o mal é tão eficaz como o fazer-se cego, e tem a vantagem adicional de reter a visão e utilizá-la para aquilo que é bom. Uma raposa às vezes rói a própria pata, presa numa armadilha, a fim de escapar. De igual modo um lagarto sacrifica sua cauda, ou uma lagosta suas tesouras.

“Cristo aconselha simbolicamente arrancar o olho ou amputar a mão para salientar que se deve tomar uma decisão resoluta para resguardar-se do mal. O cristão faria bem em seguir o exemplo de Jó, o qual disse: ‘Fiz aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela?’” (Jó 31:1) (SDA Bible Commentary, v. 5, p. 337).

Como podemos evitar maus pensamentos? Veja o conselho inspirado: “Os que não querem cair presa dos enganos de Satanás, devem guardar bem as vias de acesso à alma; devem-se esquivar de ler, ver ou ouvir tudo quanto sugira pensamentos impuros” (Atos dos Apóstolos, p. 518).












quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Vida após o divórcio

É Ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. 2 Coríntios 1:4

O divórcio se tornou uma epidemia que não poupa ninguém, nem mesmo os pastores. O pastor André (pseudônimo), que durante 20 anos de trabalho ajudou as famílias de suas igrejas a desfrutarem bem-estar conjugal e familiar, e testemunhou a devastação causada pela separação, jamais imaginou que um dia seu lar também seria atingido.

Ele se achava imune a essa praga: “O divórcio pode destroçar outros lares, não o meu. Eu e minha esposa nos damos muito bem.” Mas ele aprendeu por experiência própria que nenhum casamento está completamente fora de perigo. Certo dia, a esposa lhe abalou a confiança, dizendo: “Quero me separar de você!”

Resultado: lágrimas, sofrimento e insônia. Ele conta: “No primeiro ano após o divórcio eu passava horas caminhando sozinho à noite, tentando acalmar as emoções que se agitavam dentro de mim. Às vezes eu caminhava até ficar exausto. Quando finalmente me acalmava, eu podia ouvir a voz suave de Deus, trazendo-me segurança e paz. Deus nunca me abandonou. Ele nunca me acusou dizendo: “Você estragou tudo, André. Foi falha sua!” Não, em vez disso ouvi a mensagem de Seu amor perdoador que tantos outros quebrantados servos de Deus ouviram antes de mim: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13:5).

Quanto tempo leva a recuperação? De três a cinco anos, segundo muitos especialistas. E é importante, nesse período crucial, encontrar o apoio de amigos, bem como procurar aconselhamento, juntar-se a um grupo de apoio a divorciados, se possível, e fazer uso construtivo de sua experiência, ministrando a outras pessoas que também estão na mesma situação.

Diz o apóstolo Paulo: “É Ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus” (2Co 1:4). Ou seja: a melhor maneira de suportar o sofrimento é utilizá-lo como um instrumento para comunicar o amor de Deus aos outros.

Quando isto é feito, algo assombroso acontece: tanto o doador como o receptor experimentam alívio e cura. E o pastor André conclui seu testemunho, dizendo: “ Não tenho a menor ideia de como isto acontece. Mas sei que é uma realidade, porque aconteceu comigo.”