terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sonhos e visões

E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do Meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos. Atos 2:17
As Escrituras Sagradas fornecem inúmeros exemplos de que Deus Se comunica com os homens através de sonhos e visões (Nm 12:6). Entretanto, a Bíblia ensina claramente que nem todos os sonhos são de origem divina e Deus deu instruções específicas para que os falsos sonhos sejam descobertos e os falsos sonhadores desmascarados (Dt 13:1-5). Nos tempos de Moisés, o falso profeta ou sonhador que induzisse o povo à idolatria devia ser morto (v. 5).

O simples cumprimento de um sonho não deve ser aceito como prova exclusiva de que ele procede de Deus. É absolutamente necessário que ele esteja em harmonia com as verdades previamente reveladas (Is 8:19, 20). Ellen White cita o seguinte exemplo:

“Em um lugar, quatro pessoas de uma família pretendiam ter comunicações do Senhor, reprovando o erro, e prediziam coisas que na verdade aconteceram. Isso inspirou confiança neles. Mas as coisas que não aconteceram foram conservadas em trevas, ou tratadas como algo misterioso, que seria compreendido posteriormente. De onde recebiam esses sua inspiração? – De instrumentos satânicos, que são muitos” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 76, 77).

Ellen White também descreve como Satanás muitas vezes tentou enganá-la e a seu marido com falsas mensagens: ”Falsos caminhos têm-nos sido tantas vezes indicados [...] Temos tido de exercitar intensamente toda faculdade mental, confiando na sabedoria de Deus [...] a fim de não sermos enganados nem enganarmos outros” (ibid., p. 75).

Deus prometeu derramar Seu Espírito abundantemente sobre todos, homens e mulheres, jovens e velhos, antes da vinda de Cristo. É a chamada “Chuva Serôdia”, que será muito mais copiosa do que a Chuva Temporã, derramada no Pentecostes. Mas é preciso estar atento, pois Satanás também operará com toda a sua força e influência através de “milagres inacreditáveis, tais como fazer cair fogo do céu diante dos olhos de todo o mundo” (Ap 13:13, BV).

Com sinais e maravilhas de Deus de um lado e prodígios de Satanás de outro, cada pessoa precisará decidir em quem acreditar. Aqueles que estiverem bem fundamentados na Palavra de Deus não serão enganados.












segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vítima de abuso emocional

O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que Me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-Me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos. Lucas 4:18

Amália foi vítima de abuso por parte do marido – um membro respeitado da igreja. Mesmo depois que seu casamento terminou, a tortura emocional continuou, afetando profundamente sua própria identidade.

O que ela não sabia é que os maridos que abusam da esposa nem sempre são grosseiros, sem educação ou descorteses. Externamente eles podem até parecer “espirituais”, dedicados, amistosos e afetivos. Enfim, aquele tipo que Jesus chamou de “sepulcros caiados” (Mt 23:27). Isto torna extremamente difícil que a vítima de abuso seja levada a sério ao se queixar.

O marido de Amália não recorria à violência física, mas tinha controle total sobre ela. Eis seu desabafo: “Respondia perguntas dirigidas a mim, vigiava meus telefonemas, selecionava os amigos e membros aceitáveis de minha família, decidia como gastar o meu salário e escondia as chaves do meu carro, de modo que eu só podia dirigir quando ele permitisse. Ele me tornou totalmente dependente dele.”

Finalmente, Amália adquiriu coragem para falar com o seu pastor. E quando a situação chega a esse ponto é porque o abuso já se tornou crônico. Mas como o seu marido era membro ativo da igreja, e ela estava fazendo tratamento para depressão, a conclusão “óbvia” a que todos chegavam é que ela é quem não conseguia manter um relacionamento conjugal saudável. Ao perceber que não teria auxílio dos membros da igreja, e que muitos líderes tomaram o partido do marido, ela procurou e encontrou apoio em outros amigos e nas palavras de Jesus: “O Espírito do Senhor está sobre Mim, pelo que Me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-Me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos.”

Amália conclui seu relato dizendo: “Jesus está gradualmente completando esta obra em minha vida. É uma jornada profundamente pessoal, do cativeiro de espírito para a liberdade. Preciso constantemente examinar meu coração e aprender a perdoar sem que me peçam perdão ou admitam que erraram. Mas Deus me deu alegria e forças” (Ministry, novembro de 2008, p. 20, 21).










domingo, 28 de novembro de 2010

Desvendando o mistério de Romanos 8:28

Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito. Romanos 8:28

Ao explorar atentamente Romanos 8:28, Jeris Bragan entendeu que havia três itens a serem abordados: (1) Eu me enquadro nos planos de Deus? (2) Eu realmente amo a Deus? (3) Haveria algo de “bom” em minha situação?

Embora não soubesse os detalhes dos planos de Deus para sua vida, ele estava disposto a se enquadrar. Em segundo lugar, ele tinha tanta certeza de que amava a Deus como à sua própria família.

O terceiro item é que era o problema. Ele reconhecia que Deus havia abençoado sua vida de várias maneiras. Mas isso era tudo? Ele sentia que havia algo mais, mas não conseguia descobrir o que era.

Vários meses se passaram até que ele pudesse se debruçar sobre os problemas filosóficos e teológicos que Romanos 8:28 lhe apresentavam. Mas o mistério só começou a ser solucionado quando ele ligou o verso 28 com o 29: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”

Ele leu o texto dezenas de vezes antes que o seu significado finalmente quebrasse suas ideias preconcebidas sobre como Deus faria as coisas cooperarem para o seu bem. Ele queria que esse “bem” fosse do seu jeito. O bem seria sua libertação da prisão, a recuperação do seu nome, o direito de estar com a família e os amigos, a oportunidade de trabalhar e escrever num ambiente sem estresse. Esse seria o bem máximo.

“Mas Deus vê o nosso bem maior em termos radicalmente diferentes. Parafraseando o texto, seria assim: ‘Todas as coisas – o bom, o mau e o feio – cooperam, pela graça de Deus, para o propósito supremo de nos tornar semelhantes a Jesus’” (Advent Review, 12/08/1993, p. 10).

Ser semelhante a Jesus pode significar participar de Seus sofrimentos (Rm 8:17), e é muito mais fácil falar sobre isso do que viver a experiência. Jeris Bragan afirma que “as pessoas mais semelhantes a Cristo que ele conheceu foram as que sofreram profundamente. Elas são testemunhas vivas da bondade de Deus, mesmo em meio à fornalha da adversidade”.

sábado, 27 de novembro de 2010

Todas as coisas cooperam para o bem?

Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito. Romanos 8:28

Em 1977 um detetive adventista chamado Jeris Bragan, foi condenado a 99 anos de prisão, no Estado do Tennessee, EUA, acusado de homicídio qualificado. Devido às muitas irregularidades que houve no processo, ele foi libertado após cumprir 15 anos. Durante seu aprisionamento ele testemunhou os “casos mais absurdos de selvageria humana naquele zoológico humano, inclusive 29 assassinatos”.

Embora não acreditasse que Deus fosse interferir no abuso que as pessoas cometem umas contra as outras, ele tinha esperança de que Deus ouvisse suas orações para ser libertado, pois se considerava inocente das acusações. Ao caminhar pelo pátio da prisão, um texto bíblico aflorou à sua mente com insistência: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. Muitas vezes ele havia confortado amigos que estavam passando por dificuldades, citando essa promessa. Mas agora essa promessa tinha um sabor amargo para ele. Ele não conseguia compreender como, em todas as coisas, Deus estava operando para o seu bem.

Ele pensou: “É em tempos de intenso sofrimento que as nossas brilhantes ideias religiosas são postas à prova. É nessas ocasiões que nos lembramos dos sermões que ouvimos sobre como Deus ouve as orações. Sentados confortavelmente nos bancos da igreja, vemos com clareza como “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.

“Mas quando você é demitido de seu emprego, não recebe a promoção que merecia, sofre com falsos boatos, é traído por seu cônjuge, vê seu filho enveredar pelo caminho das drogas, você continua confiante de que todas as coisas estão cooperando para o seu bem? Estas são perguntas difíceis que provam nossa fé em Deus.”

Em tais momentos de perplexidade é bom estudar “a história de José e de Daniel. O Senhor não impediu as armadilhas dos homens que procuravam fazer-lhes mal; mas conduziu todos os planos para o bem de Seus servos, que no meio de provas e lutas mantiveram sua fé e lealdade” (A Ciência do Bom Viver, p. 487).

Jeris não sabia quais eram as respostas para as suas perguntas, mas estava decidido a desvendar o mistério de Romanos 8:28.

Leia, amanhã, o que ele conseguiu descobrir.














sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Responsável ou fiscal?

Então o Senhor perguntou a Caim:“Onde está seu irmão Abel?” Respondeu ele: “Não sei; sou eu o responsável por meu irmão?” Gênesis 4:9, NVI

Um dia, um pastor abordou um membro da igreja dizendo que precisava conversar com ele e a esposa, juntos. A visita foi marcada e, num domingo de manhã, o pastor compareceu à casa deles.

Sem muitos rodeios, o pastor foi logo dizendo que havia visto a senhora no centro da cidade, e que, segundo seu critério, ela não estava vestida de maneira apropriada, e pedia sua colaboração. A irmã, indignada com o que lhe pareceu uma intromissão em sua vida particular, se retirou da sala, deixando o marido e o pastor falando sozinhos. Esse episódio somou-se a outros fatores, e, finalmente, ela deixou a igreja.

Somos nós, tanto pastores como membros, responsáveis por nosso irmão? Sem dúvida. Mas, ser guardador, tutor ou responsável é uma coisa. Ser fiscal é outra bem diferente. No entanto, há pessoas na igreja tão preocupadas em fiscalizar a vida dos irmãos, com a justificativa de “preservar o bom nome da igreja”, que acabam interferindo na liberdade de consciência que Deus deu a cada um.

No tempo de Cristo esse controle social já existia, e Ele próprio foi vítima dos “zelosos da lei”, mas não tão zelosos no amor, que O acusaram de ser “glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores” (Lc 7:34). E quando Cristo curou um paralítico no sábado, os fiscais, zelosos das normas, imediatamente advertiram o que fora curado, dizendo-lhe: “Hoje é sábado, e não te é lícito carregar o leito” (Jo 5:10).

Em outro sábado, os discípulos, com fome, entraram numa seara, colheram espigas e as comeram. Novamente, os “representantes da lei” reclamaram para Jesus que os Seus discípulos faziam “o que não é lícito fazer em dia de sábado” (Mt 12:2). Além disso, eles foram também acusados de não lavar as mãos quando comiam (Mt 15:2). Acontece que aqueles acusadores eram réus de coisas muito piores, como Cristo deixou claro nos versículos seguintes.

A igreja tem normas a seguir? É claro que sim. Mas “em questões de consciência, a alma deve ser deixada livre. Ninguém deve controlar o espírito de outro, julgar por outro, ou prescrever-lhe o dever. Deus dá a toda alma liberdade de pensar, e seguir suas próprias convicções” (O Desejado de Todas as Nações, p. 550).

“Cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm 14:12). Por isso, ninguém deve se intrometer naquilo que tem que ver com a consciência alheia.














quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Gratidão pelas pulgas

Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. 1 Tessalonicenses 5:18

Corrie ten Boom foi uma holandesa que ajudou a salvar a vida de muitos judeus escondendo-os dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Sua família, porém, foi denunciada por um informante holandês e presa no dia 28 de fevereiro de 1944. O pai de Corrie morreu dez dias após a prisão.

Ela e a irmã Betsie foram enviadas a Ravensbrück, o campo de extermínio de mulheres, na Alemanha. Elas conseguiram levar uma Bíblia escondida para o alojamento nº 28, que estava cheio de pulgas. Ficaram admiradas pelo fato de gozarem maior liberdade ali do que em outros alojamentos, e por isso realizavam cultos com outras prisioneiras sem serem incomodadas. Um dia, ao lerem o verso acima, Betsie disse: “Corrie, precisamos dar graças pelas pulgas também, pois esse texto não diz que devemos dar graças só nas situações agradáveis. As pulgas fazem parte deste lugar em que Deus nos colocou.”

Relutantemente a irmã deu graças por aqueles insetos incômodos, certa de que Betsie desta vez exagerara na dose. Mas um dia elas entenderam por que podiam ficar mais à vontade no alojamento nº 28: é que os guardas e as supervisoras não entravam ali por causa das pulgas! O que parecia ser uma maldição se tornara uma bênção para elas. Portanto, devemos dar graças até pelas aparentes desgraças.

A gratidão é uma das mais nobres virtudes que caracterizam a vida cristã. Entretanto, são poucos os que a cultivam. A maioria é capaz de, por anos a fio, lembrar-se de uma pequena ofensa. Mas se esquece de um favor muito facilmente.

O Dr. Samuel Leibowitz, famoso advogado criminalista nos Estados Unidos, salvou 78 homens da cadeira elétrica. Quantos desses homens voltaram para lhe agradecer ou, ao menos, se deram ao trabalho de enviar-lhe um cartão de Natal? Nenhum!

Certa vez, Jesus curou dez leprosos. Apenas um voltou para agradecer-Lhe. Cristo, então, Se voltou para ele e perguntou: “Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?” (Lc 17:17).

A gratidão requer grandeza de alma, e essa é uma virtude que poucos possuem. Temos muito a agradecer ao Pai celeste. Vamos cultivar essa virtude não só hoje, que é Dia de Ação de Graças, mas todos os dias.














quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Idolatrar a si mesmo

Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. 1 João 5:21

Parece não haver dúvida de que o apóstolo João escreveu sua primeira epístola da cidade de Éfeso, por volta do ano 90 d.C. Éfeso era famosa por seus ídolos. Ali estava o templo da deusa Diana, que era uma das maravilhas do mundo e cuja fabricação de imagens movimentava a economia local. Mas acima da idolatria popular, havia muitos que praticavam artes mágicas. Além disso, alí o gnosticismo e o dualismo desfrutavam de prestígio, e era ensinada a doutrina dos nicolaítas (Ap 2:6).

Cercados por semelhante ambiente, os “filhinhos” de João não podiam viver em Éfeso sem estar em constante contato com a idolatria em suas várias formas, bem como com doutrinas espúrias. Assim, a interpretação literal desses ídolos aos quais o apóstolo João se refere tem o seu lugar.

Mas, com certeza, a aplicação da advertência de João vai muito além disso, pois a essência da idolatria é dar a outro o amor, reverência e devoção que devem ser dedicados exclusivamente a Deus. Muitos fazem das riquezas o seu deus. E Paulo diz que a avareza é idolatria (Cl 3:5). Outros vivem para o prazer, ou idolatram o poder, a honra, a fama.

Não é muito difícil abster-se de adorar deuses mortos, mas é preciso cuidar para não adorar deuses vivos, como um parente, amigo, a esposa, o marido ou filho. E o pior de tudo é quando alguém faz de si mesmo um ídolo. Este é um pecado que desonra e insulta a Deus de modo especial, pois Deus diz: “A Minha glória, pois, não a darei a outrem” (Is 42:8).

Ao que tudo indica, esta era a principal preocupação do apóstolo João, ao pedir que nos guardássemos dos ídolos. A maioria dos intérpretes dessa primeira epístola de João acredita que ela foi escrita a uma igreja dividida em torno da natureza de Cristo e normas eclesiásticas. A disputa foi tão séria que alguns membros saíram da igreja (1Jo 2:19; 4:5).

“Aparentemente o apóstolo concluiu que os indivíduos que abandonaram sua congregação haviam se tornado seus próprios ídolos. O individualismo sem a comunidade se torna um ídolo!” (Niels-Erik Andreasen).

Podemos ser filhos de Deus quando colocamos o eu acima de tudo? Deus é nosso Pai e Ele deseja que vivamos em comunhão, nada fazendo “por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3).