quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Percebendo a Voz de Deus

Todas as manhãs, Ele faz com que eu tenha vontade de ouvir com atenção o que Ele vai dizer. Isaías 50:4, NTLH

Reunir-se em torno das fogueiras era um dos bons momentos nos acampamentos, fossem eles à beira-mar ou no campo. As fogueiras não faziam parte do cerimonial, mas, antes de acendê-las, quando tudo estava pronto, muitas vezes eu pedia que todos apagassem a lanterna e permanecessem em silêncio por um minuto, a fim de escutar os sons da natureza. Vozes silenciadas, era mais fácil ouvir o cricrilar dos grilos, o zumbido dos insetos, o coaxar do sapos, o pequeno riacho que corria, o quebrar das ondas na praia ou o canto solitário de alguma ave.

Na oração, o ouvido é órgão de primeira importância. Precisamos silenciar algumas vozes em nosso dia a dia a fim de escutar melhor a voz de Deus.

Ele é a primeira pessoa com quem devemos falar. É também a primeira a quem devemos escutar. Temos que educar o ouvido diariamente para que se torne sensível à voz de Deus. Ouvir com atenção, como aprendiz, com avidez, a fim de receber os suprimentos da graça divina.

De que maneira Deus nos fala? A maneira básica de Deus Se comunicar conosco é por meio da Sua Palavra, a Bíblia. Devo sentir que, quando a estou lendo, Deus está me ensinando alguma coisa.

Ele também fala conosco pelo Espírito Santo. Não há aqui referência alguma audível. Mas através de um hino, da conversa com um amigo, do primeiro texto que o pregador usa em seu sermão, da consciência, de uma forte impressão, Deus pode nos falar ao coração.

Agora vem a parte mais difícil nesse processo. Nosso contato com Ele tem que ser diário e, de preferência, no começo do dia. “De manhã ouves, Senhor, o meu clamor; de manhã Te apresento a minha oração e aguardo com esperança” (Sl 5:3).

Entendo que a complexidade da vida moderna coloca muitas vezes o colégio ou o trabalho bem distante de onde moramos. Temos que sair bem cedo de casa. Levamos a agenda com tudo o que deve ser cumprido até o fim do dia. Mostre essa agenda para Deus e peça que Ele lhe dê sabedoria para fazer o que é prioritário, essencial.

Agora um desafio: faça a experiência de acordar um pouco mais cedo e coloque seus momentos devocionais antes de tudo no seu dia. Você notará a diferença. Eu mesmo poderia ter aprendido mais, se tivesse experimentado isso mais cedo em minha experiência cristã.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Subindo o Monte com Moisés

Você verá a terra somente a distância, mas não entrará na terra que estou dando ao povo de Israel. Deuteronômio 32:52

Ali estava um grande líder, um gigante espiritual, o homem escolhido por Deus para libertar Seu povo do cativeiro. Havia recebido os dez mandamentos da lei de Deus e escrevera mais do que qualquer outro escritor bíblico que o sucedeu.

Naquele dia ele se levantou mais cedo do que de costume. Antes de o sol nascer. Era seu último dia na Terra com um povo que ele amava e com o qual tinha sofrido.

Mas ainda tinha providências a ser tomadas, coisas a ser colocadas em ordem e palavras finais a dizer para a nova geração.

Israel teria um novo começo naquela terra que manava leite e mel. E se alguém tinha direito a esse novo começo era Moisés. Viver na Terra Prometida tinha sido sua motivação por todo o caminho, desde que deixara o Egito. Ele deve ter implorado a Deus: “Senhor, por favor, deixe-me entrar. Eu sofri com esse povo e sonhei com este momento. Estou só a poucos dias da realização completa. Por quê?”

Despedidas são momentos difíceis tanto para quem sai como para quem fica. Os pastores que ficam de cinco a seis anos numa igreja sabem disso. A vida dos membros começa a fazer parte da sua vida, como a vida dos pastores também começa a fazer parte da vida dos membros da igreja, mas se separam esperando no futuro se reencontrarem pelo caminho. Para Moisés, tinham sido quarenta anos.

Sua vida passou como se fosse um filme diante dele: a educação que recebera da mãe, o dia em que matara o egípcio, seu chamado diante da sarça ardente... Relembrou todas as maravilhas que Deus havia realizado por seu intermédio: a libertação de Israel, a abertura do Mar Vermelho e a derrota do exército egípcio. Lembrou-se do maná, da água fluindo da rocha, da nuvem e da coluna de fogo. E agora, com o coração partido, subia o monte sozinho.

Lá de cima, viu Canaã, a terra com a qual sonhara por quarenta anos. Do outro lado, olhou e viu as tendas e barraquinhas do povo com quem ele estivera acampando por quatro décadas. Deve ter sido uma ocasião de muita emoção para Moisés.

Chegou então o momento. Nenhuma fanfarra tocava. Nenhum discurso. Ninguém lia seu obituário. Não havia trombetas tocando enquanto seu corpo baixava à sepultura. Deus foi quem marcou o lugar onde Seu querido líder descansou.

A história não terminou ali. Deus marcou o lugar da sepultura e, como grande amigo de Moisés, levou-o para junto de Si.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Muitas Escolhas

Eu lhes dou a oportunidade de escolherem entre a vida e a morte, entre a vida e a maldição. Escolham a vida. Deuteronômio 30:19, NTLH

Exercer a liberdade de opinião, de selecionar, de mostrar preferência, requer maturidade, calma e sabedoria, porque quando dizemos “sim” para uma coisa, estamos dizendo “não” para centenas de outras. A liberdade de escolha foi uma das grandes dádivas que Deus concedeu ao ser humano. Mesmo conhecendo as implicações disso, Ele preferiu correr o risco a ter um exército de robôs. Mesmo que alguns tenham feito escolhas desastrosas, Ele ainda continua nos dando essa liberdade de decisão.

Quando há muitos fatores e possibilidades conflitantes e as escolhas terão impacto sobre nosso amanhã, nosso futuro, gostaríamos de saber qual é o melhor caminho para chegar o mais perto possível da melhor escolha.

Muita gente é impetuosa e não quer passar por esse processo de pesar e medir as consequências.

Não existem passos nem regras que, se seguidos, nos levarão invariavelmente a acertar o alvo. Mas podemos nos valer de alguns elementos para diminuir a margem de erro:

1. Lembre-se da Bíblia como fonte de orientação. Pergunte-se: “Há algum texto bíblico que lança luz sobre a escolha que quero fazer? Alguma promessa específica de Deus?”

2. Converse com um amigo ou conselheiro cristão, alguém que esteja do lado de fora do processo, que com isenção de ânimo ou opinião possa lhe dizer com lealdade o que é melhor. Quem sabe ele já enfrentou a mesma situação e possa lhe ajudar.

3. Nesse processo, não minta para si mesmo. Pergunte-se: “O que estou querendo? Impressionar alguém com essa escolha (meus superiores, ou colegas de trabalho, parentes, professores)? Esse é o sonho da minha vida?”

4. Ore a Deus para que lhe dê sabedoria e discernimento para a melhor escolha.

5. Considere os prós e os contras de cada opção. Quais serão as consequências a curto e a longo prazo? Quem vai ser afetado pela sua decisão?

O dia de hoje poderá terminar com débito ou crédito em sua conta de investimentos futuros, dependendo de suas escolhas. Deus estará torcendo e desejando que você acerte em suas escolhas.

A promessa é: “Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: ‘Este é o caminho; siga-o’” (Is 30:21).

domingo, 28 de agosto de 2011

A Volta do Banido

Deus não tira a vida; ao contrário, cria meios para que o banido não permaneça afastado dEle. 2 Samuel 14:14

Há muitas histórias do Antigo Testamento que nos ajudam a entender melhor como é que atua a graça de Deus. O drama de Davi e Absalão daria excelente roteiro para um filme, e bateria qualquer recorde no número de estatuetas do Oscar. É a narrativa do pai e filho que haviam se afastado um do outro desde que Absalão assassinara seu irmão mais novo, Amnom. Joabe, comandante do exército, percebendo a disposição de Davi para fazer as pazes com seu filho, colocou na agenda do rei a entrevista de uma mulher para que, por meio de uma parábola, convencesse o rei a trazer Absalão de volta ao palácio. Joabe também a instruiu sobre como se vestir e o que devia falar. “Não se desvie do assunto; do contrário, não vamos conseguir convencer o rei.”

Conseguir um espaço na agenda de uma autoridade não é fácil. Eu me lembro no tempo de colportagem quando algumas vezes surgia a oportunidade de falar com uma autoridade. São pessoas que nunca estão sozinhas na sala e nunca atendem na hora. Estão sempre acompanhadas de assessores, da secretária e de um oficial militar.

Na hora da entrevista de Davi com a mulher, Joabe provavelmente tivesse ficado a uma distância em que pudesse escutar cada palavra dita para ver se seu plano estava dando certo. Foram cinco as intervenções da mulher e a pressa de Davi em despachá-la ficou clara, quando respondeu: “Já anotei... vou tomar as providências. Fique tranquila, pode deixar.” Davi se levantou e se dirigiu para a porta, mas a mulher se sentia frustrada por não ter conseguido o que planejara.

Finalmente, aconteceu a parte mais impressionante da conversa. Naquele momento, ela revelou um entendimento do evangelho que poucos em sua época tinham. Mostrou a atitude de Deus em relação ao pecador. Demonstrou que conhecia muito sobre a graça de Deus. Conhecia até onde Deus vai para trazer de volta pecadores culpados, e colocou em suas palavras uma moldura para a graça de Deus: “Deus não tira a vida, ao contrário, cria meios para que o banido não permaneça afastado dEle.”

Será que podemos criar meios, aplainar o caminho, restabelecer relacionamentos, facilitar a volta dos desterrados e daqueles que se afastaram? Sem pendências...

Houve um breve momento de silêncio. Percebendo que Joabe estava por trás de tudo, Davi o chamou e disse: “Muito bem, [...] traga de volta o jovem Absalão” (v. 21).

Houve reconciliação. O estranhamento terminou. A graça triunfou!

sábado, 27 de agosto de 2011

Graça e Aceitação

Durante uma refeição na casa de Levi, muitos publicanos e “pecadores” estavam comendo com Jesus. Marcos 2:15

As pessoas frequentam e gravitam em torno dos lugares onde são aceitas. Para um momento de ânimo e até mesmo para relaxar, gostamos de estar com os amigos e grupos onde somos aceitos, onde nos sentimos à vontade e onde não temos medo de ser nós mesmos.

Levi Mateus, ao aceitar o convite de Jesus para ser um de Seus discípulos, quis comemorar esse feito apresentando Jesus aos seus amigos. O melhor que ele sabia fazer era convidar a todos para uma refeição em comum, em sua casa, tendo a Jesus como hóspede de honra. Quem sabe naquele grupo que Marcos chamou de pecadores havia ladrões, adúlteros, moças que tinham cometido aborto, beberrões e usuários de drogas. Não sei que pregador iria se sentir à vontade no meio de um grupo assim. Mas Jesus não Se surpreendeu. Ele reconheceu com que grupo estava e disse: “Eu não vim para chamar justos, mas pecadores” (Mc 2:17).

Naquele que é chamado o sermão mais importante do século 20, o teólogo Paul Tillich definiu graça como “aceitação daquilo que é rejeitado”. Ele diz: “A graça nos atinge quando andamos no vale escuro de uma vida sem significado e vazia... Quando sentimos que a nossa separação é mais profunda do que a habitual... Algumas vezes naquele momento, uma onda de luz invade as trevas como se estivesse dizendo: Você está aceito. Você é aceito por aquilo que é maior do que você e que você não conhece... Não procure nada, não realize nada, não tente nada agora. Simplesmente aceite o fato de que você está aceito! Se isto acontece conosco, experimentamos graça. Depois de tal experiência, talvez não sejamos melhores do que antes... Mas tudo está transformado. Naquele momento a graça conquista o pecado e a reconciliação transpõe o abismo da separação.”

Assim , não temos de persuadir a Deus e nem vencer sua relutância para que nos aceite. Tudo aquilo que precisamos fazer é abraçar a graça de Deus e receber Sua aceitação.

Ele veio e anunciou paz a vocês que estavam longe e paz aos que estavam perto (Ef 2:17).

“Deus aceitará a cada um dos que se chegam a Ele, confiando inteiramente nos méritos de um Salvador crucificado. [...] Pode não haver êxtase de sentimentos, mas haverá uma duradoura e pacífica confiança” (ME 1: 354).

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sedento Pela Presença de Deus

Todo o meu ser anseia por Ti, numa terra seca, exausta e sem água. Salmo 63:1

Muitos cristãos exemplares interpretaram uma enfermidade ou um revés na vida como se fosse uma “intimação” da parte de Deus para uma consagração maior e uma lembrança de sua necessidade dEle.

O pregador inglês W. E. Sangster foi acometido de uma enfermidade que o levaria progressivamente a uma atrofia muscular, começando com a garganta, o que o faria perder a voz. Algumas semanas antes de sua morte, por ocasião da Páscoa, ele escreveu para a filha: “É terrível despertar na manhã da Páscoa e não ter voz para gritar: ‘Ele ressuscitou!’ Mas seria ainda mais terrível ter voz e não querer gritar.”

Sangster perdeu a voz e Davi enfrentou fome e sede no deserto. O Salmo 63 é para aqueles que estão passando pelo deserto. Preste atenção ao título: “Salmo de Davi, quando ele estava no deserto de Judá”. Ele confessa que estava sedento, cansado e vazio. Passava por uma experiência no deserto.

Passamos a maior parte do tempo transitando em bonitos campos e ambientes agradáveis, e enfrentamos poucos desertos. O deserto tem muitas formas e configurações. É um lugar de seca e destruição. É um lugar de ansiedade e do desconhecido.

Não é querer dar boas-vindas ao sofrimento, como alguns fazem, mas muitas vezes a frustração, a ansiedade e o sofrimento se tornam experiências que atuam como elementos que nos aproximam de Deus. Às vezes, são experiências passageiras. Outras duram mais tempo e temos que nos apegar a Deus com firmeza entregando o problema a Ele.

Todos nós, como seres humanos, temos anelos, sonhos, fome e sede de algo. Por que não mencionar essas coisas para Deus, sejam grandes ou pequenas, muito importantes ou só de alguma importância? Pior seria diante de tudo não sentir a necessidade de Deus, e então, depois de Deus atender, não surgir nenhum desejo de louvá-Lo e agradecer-Lhe.

Depois da experiência do deserto, Davi foi ao templo: “Aqui estou no lugar de adoração [...] bebendo da Tua força e da Tua glória. Estou vivendo enfim em Teu fiel amor. Meus lábios transbordam de louvor. Cada vez que respiro eu Te louvo” (Sl 63:2, 3, The Message)
Aqui está uma forma bonita de orar: levar a Deus seus desejos e lembrá-Lo do quanto necessita dEle.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Devoção e Lealdade

Então aqueles três [chefes do batalhão dos trinta] atravessaram o acampamento filisteu, tiraram água da cisterna e a trouxeram a Davi. 2 Samuel 23:16

Toda vez que leio a narrativa bíblica para essa fase da história de Israel, fico fascinado com a garra e a coragem dos soldados de Davi. Eram guerreiros que vieram dos quatro cantos de Israel. Não eram aprendizes entusiastas, mas soldados experimentados. Dentre os 37 mencionados no capítulo 23 do segundo livro de Samuel, três se sobressaíam. Eram os mais corajosos dentre os corajosos e os mais fortes dentre os fortes. Eles portavam no uniforme medalhas e condecorações conquistadas no campo de batalha. Conheciam a dureza da batalha não por simulação, mas em campo aberto.

O primeiro mencionado é Jabesão, que enfrentou com sua lança 800 homens numa mesma batalha e os venceu. O segundo do trio era Eleazar, que ao lutar desde a manhã até a tarde, agarrou a espada com tanta firmeza que no fim do dia não conseguia abrir a mão. E o terceiro era Samá. Os filisteus queriam a plantação de lentilhas que abastecia o exército de Israel. Samá resistiu sozinho e Israel venceu a batalha.

Porém, no meio das façanhas desses guerreiros há um relato interessante. Os três foram se encontrar com Davi na caverna de Adulão. E num instante de saudade ou nostalgia, Davi pensou alto: “Ah, se eu pudesse beber daquela água do poço de Belém.” Quem já acampou em regiões de calor, depois de beber vários dias água praticamente morna, nos momentos de calor intenso, sente o desejo de se refrescar com água bem fria. E os três, que estavam por perto, disseram: “Você ouviu o que o chefe falou? Ele quer aquela água geladinha que tem próximo ao portão de Belém. Vamos lá!”

Havia dois lugares estratégicos em qualquer cidade: o portão e o poço. Apesar de o local estar cercado pelos filisteus, os guerreiros foram, encheram um “cantil” gigante e fizeram uma surpresa para seu líder. Eles entregaram para Davi o “cantil” como se igualassem o feito às grandes conquistas anteriores. Porém, a reação de Davi espantou os guerreiros.

Ao perceber que eles haviam demonstrado devoção arriscando a vida, Davi considerou aquela água sagrada demais para beber e satisfazer sua sede. Para ele, era como se bebesse o próprio sangue daqueles homens, por isso derramou-a como oferenda ao Senhor.

Há um imenso exército de homens e mulheres dedicados e leais que se sacrificam e querem ver o reino de Deus estabelecido. Você deseja ser um deles?